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Vivo entra no crédito ao consumidor e lança crediário em até 21 vezes para impulsionar venda de smartphones
Operadora da Telefônica Brasil mira clientes sem cartão ou com limite esgotado e amplia atuação financeira com o Vivo Pay, de olho em novas receitas e maior conversão nas lojas.
A Vivo, controlada pela Telefônica Brasil, iniciou a oferta de crediário próprio para a compra de smartphones e eletrônicos, ampliando o acesso ao consumo em um mercado ainda fortemente dependente do cartão de crédito. A nova modalidade permite parcelamento em até 21 vezes e mira consumidores sem limite disponível ou fora do sistema tradicional de crédito.
A iniciativa reflete uma mudança estratégica no varejo de telecomunicações, que busca reduzir a fricção na aquisição de aparelhos, principal motor de receita nas lojas físicas. Hoje, cerca de 95% das vendas da operadora ainda estão atreladas ao cartão, segundo o vice-presidente de inovação, Rodrigo Gruner. A ausência de crédito aprovado, diz, segue como um dos principais entraves à conversão no ponto de venda.
Crédito integrado à jornada de compra
O modelo adotado pela empresa integra concessão de crédito e oferta de produtos em tempo real. A partir da consulta ao CPF ou número de telefone, o sistema cruza dados internos para definir limites pré-aprovados e direcionar o portfólio ao perfil financeiro do cliente. A operação elimina a necessidade de cartão e permite o fechamento da compra diretamente no crediário.
A estratégia amplia o alcance comercial da companhia ao atender desde consumidores de menor renda, que buscam o primeiro smartphone ou a substituição de aparelhos antigos, até clientes de maior poder aquisitivo interessados em modelos premium, mas com restrições momentâneas de crédito.
Portfólio ampliado e diversificação de receita
Além de smartphones, o crediário contempla acessórios, televisores, smartwatches, equipamentos de som e videogames. O movimento acompanha uma tendência de diversificação do mix nas lojas das operadoras, que passam a atuar também como varejistas de eletrônicos.
Na prática, a iniciativa também fortalece a venda de serviços agregados. De acordo com a empresa, cerca de 40% dos consumidores que compram aparelhos já aderem a seguros, ampliando o ticket médio e a recorrência de receita.
Vivo Pay ganha protagonismo
A operação é sustentada pelo Vivo Pay, braço financeiro da companhia, que vem ganhando relevância dentro da estratégia do grupo. Desde 2024, a empresa possui licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD) concedida pelo Banco Central, o que permite a concessão de empréstimos sem intermediação bancária.
O funding da operação é estruturado por meio de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), com participação de gestoras como QITech e Polígono Capital, em parceria com o BTG Pactual.
Desde seu lançamento, em 2020, o Vivo Pay já concedeu mais de R$ 1,1 bilhão em crédito. Em 2025, a operação gerou receita de R$ 488 milhões, com crescimento anual de 5,9%, consolidando-se como um dos pilares de expansão da companhia para além do core de telecomunicações.
O avanço do crediário reforça uma tendência mais ampla no setor: a transformação das operadoras em plataformas de serviços financeiros. Ao utilizar sua base de clientes, dados de consumo e capilaridade física, empresas como a Vivo buscam capturar valor em crédito, seguros e outros produtos financeiros, um movimento que aproxima o setor de telecom do ecossistema de fintechs no Brasil.

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