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Trumpismo econômico à brasileira: Governo Lula decide taxar painéis solares e carros elétricos para 35%

Trumpismo econômico à brasileira: Governo Lula decide taxar painéis solares e carros elétricos para 35%

Governo Lula eleva tarifas sobre carros elétricos e painéis solares e repete a estratégia protecionista que Trump usou nos EUA.

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Nos últimos meses, governos de diferentes espectros ideológicos passaram a adotar um discurso semelhante: a defesa da indústria nacional como justificativa para políticas protecionistas. Nos Estados Unidos, Donald Trump popularizou essa narrativa ao afirmar que tarifas e barreiras comerciais fortaleceriam a economia doméstica. No Brasil, o governo Lula adota hoje uma lógica parecida, ainda que embalada por um discurso ambiental e socialmente progressista. Em ambos os casos, porém, o custo real dessas escolhas recai, no fim da cadeia, sobre a população.

No Brasil, painéis solares e veículos elétricos foram apresentados durante quase uma década como símbolos de modernização, sustentabilidade e transição energética. Incentivos fiscais, isenção de impostos de importação e políticas de estímulo permitiram a queda de preços, a ampliação do acesso e a rápida expansão desses mercados. Esse cenário começou a ser desmontado quando o governo federal decidiu retomar e escalar o imposto de importação, encerrando a alíquota zero e criando um cronograma que pode elevar a cobrança a até 35% em julho de 2026.

A decisão, oficializada no âmbito da Gecex/Camex, afeta diretamente dois setores que o próprio governo afirma priorizar: mobilidade elétrica e energia solar. No discurso, a justificativa é conhecida: proteger a indústria nacional, estimular fábricas locais e reduzir a dependência externa. É exatamente o mesmo argumento usado por Trump ao impor tarifas sobre aço, carros e produtos tecnológicos. A diferença está mais na retórica do que na prática.

No setor automotivo, o impacto é imediato. Os veículos elétricos, que ainda dependem majoritariamente de importação, passam a sofrer aumentos graduais de imposto até atingir o teto de 35%. Na prática, isso não cria fábricas do dia para a noite, nem garante transferência de tecnologia automática. O que ocorre, de forma quase inevitável, é o repasse do custo ao consumidor, tornando os carros elétricos menos acessíveis e retardando sua popularização.

O mesmo raciocínio vale para a energia solar. O Brasil construiu um dos maiores mercados de geração distribuída do mundo com base em equipamentos importados, sobretudo da Ásia. A retomada da tributação encarece sistemas fotovoltaicos residenciais e empresariais, alonga o prazo de retorno do investimento e desestimula novos projetos. O resultado contradiz frontalmente a narrativa de transição energética justa e acelerada.

A contradição se torna ainda mais evidente quando se observa outras decisões do governo. Enquanto encarece tecnologias limpas sob o argumento de política industrial, o mesmo governo avança na liberação da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, uma das regiões ambientalmente mais sensíveis do planeta. O discurso ambiental, nesse contexto, parece funcionar mais como peça retórica do que como diretriz concreta de política pública.

Assim como no governo Trump, a promessa de fortalecimento da indústria nacional serve para legitimar medidas que, no curto e médio prazo, penalizam consumidores e freiam setores estratégicos. A diferença é que, no caso brasileiro, isso ocorre sob a bandeira da sustentabilidade e do compromisso climático, o que torna a incoerência ainda mais evidente.

Para a população, o efeito é simples e direto: carros elétricos mais caros, energia solar menos acessível e uma transição energética mais lenta. O imposto que sai do zero e pode chegar a 35% não é apenas um ajuste técnico — é uma escolha política que revela a distância entre o discurso oficial e a prática do governo.

 

*Equipe Conecta Energia

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