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Trump enterra eólica offshore e redireciona bilhões da TotalEnergies para o gás nos EUA
Parceria anunciada na CERAWeek prevê encerramento de projetos eólicos offshore e redirecionamento de cerca de US$ 1 bilhão para gás natural, em meio à reorientação da política energética americana.
Os Estados Unidos firmaram um acordo com a TotalEnergies para encerrar projetos de energia eólica offshore e redirecionar aproximadamente US$ 1 bilhão em investimentos para o setor de gás e energia. O anúncio, feito durante a CERAWeek, sinaliza uma inflexão relevante na estratégia energética do país, agora mais alinhada à expansão de fontes consideradas “firmes” e de menor custo no curto prazo.
Pelos termos do acordo, o governo americano se compromete a reembolsar integralmente os valores pagos pela companhia na aquisição de licenças para projetos eólicos offshore que foram posteriormente cancelados. Em contrapartida, a TotalEnergies deverá reinvestir o montante em ativos energéticos nos Estados Unidos, com destaque para projetos ligados ao gás natural liquefeito (GNL).
O secretário do Interior, Doug Burgum, criticou a política energética anterior, adotada durante o governo Joe Biden, classificando-a como “ideológica e ineficaz” ao priorizar fontes renováveis subsidiadas. Segundo ele, o novo acordo busca garantir “energia acessível e confiável” para os consumidores americanos, em oposição a fontes intermitentes e dependentes de incentivos públicos.
A petroleira francesa já indicou que parte relevante dos recursos será destinada à construção da usina de GNL Rio Grande, com capacidade estimada em 29 milhões de toneladas por ano. O movimento ocorre em um momento em que a empresa enfrenta interrupções operacionais no Catar, Iraque e Emirados Árabes Unidos, que afetam cerca de 15% de sua produção global, fator que reforça a atratividade de ativos em território americano.
O acordo se insere em um contexto mais amplo de reversão da política energética nos EUA, sob a administração Donald Trump, que tem suspendido arrendamentos e licenças de projetos eólicos offshore, inclusive aqueles já em estágio avançado de construção. A justificativa oficial envolve riscos à segurança nacional e à confiabilidade do sistema elétrico.
A medida desencadeou uma reação imediata de grandes desenvolvedores internacionais. Empresas como Equinor e Ørsted recorreram à Justiça para contestar a suspensão de projetos bilionários. A Equinor questiona a paralisação do Empire Wind, já com mais de 60% das obras concluídas e investimentos superiores a US$ 4 bilhões. Já a Ørsted move ações relacionadas aos empreendimentos Sunrise Wind, com 45% de avanço, e Revolution Wind, que já alcançou 87% de execução.
O embate judicial e regulatório evidencia a crescente tensão entre a agenda de transição energética e a busca por segurança energética em um cenário global marcado por volatilidade geopolítica e pressões sobre custos.

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