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Trump aposta no "carvão" para vencer corrida da IA contra a China, mas enfrenta resistência do mercado energético interno
Com liberação de 13 milhões de acres e US$ 625 milhões para usinas a carvão, governo aposta em energia fóssil para sustentar corrida da inteligência artificial, apesar da resistência do mercado e do avanço das renováveis.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem intensificado críticas às políticas de incentivo às energias renováveis adotadas nos últimos anos e afirmado que os EUA perderam espaço estratégico para a China nesse setor. Em discursos recentes, Trump declarou que os investimentos maciços em energia eólica e solar teriam enfraquecido a indústria tradicional americana, ao mesmo tempo em que beneficiaram adversários geopolíticos.
Segundo ele, a China assumiu a liderança global na produção de painéis solares, baterias e equipamentos para geração eólica, consolidando domínio sobre cadeias de suprimento consideradas estratégicas. Trump argumenta que, enquanto os EUA impuseram restrições ambientais e reduziram o apoio aos combustíveis fósseis, os chineses expandiram sua base industrial com forte subsídio estatal.
O presidente também tem questionado a confiabilidade das fontes renováveis para sustentar o crescimento acelerado do consumo de energia, especialmente diante da expansão de data centers e da inteligência artificial. Para Trump, depender excessivamente de solar e eólica tornaria o país vulnerável, tanto do ponto de vista energético quanto industrial.
A retórica reforça a defesa de uma matriz energética baseada em petróleo, gás natural e carvão como forma de garantir segurança nacional e competitividade econômica. Ao associar a transição energética ao avanço chinês, Trump enquadra o debate climático como parte de uma disputa estratégica maior entre Washington e Pequim.
Especialistas, por sua vez, apontam que a liderança chinesa no setor renovável é resultado de planejamento industrial de longo prazo e escala produtiva, enquanto os EUA ainda mantêm protagonismo em inovação tecnológica e investimento privado. O embate sinaliza que a política energética deve permanecer no centro da disputa eleitoral e da estratégia geopolítica americana.
Casa Branca tem pressionado empresas do setor a adiar o fechamento de usinas termelétricas
Na semana passada Trump voltou a defender uma guinada na política energética do país, com ênfase na retomada dos combustíveis fósseis, após anos em que a gestão de Joe Biden priorizou a ampliação da capacidade de fontes renováveis. Desde que reassumiu o cargo, em janeiro, Trump tem assinado decretos para desmontar diretrizes climáticas consideradas centrais na agenda ambiental anterior, ao mesmo tempo em que busca facilitar a expansão da produção de petróleo e gás.
A ofensiva inclui também um apelo direto à indústria do carvão. A Casa Branca tem pressionado empresas do setor a adiar o fechamento de usinas termelétricas e manter a produção do combustível. Em setembro, o governo anunciou um pacote de medidas para estimular o segmento e sustar a desativação de plantas em diferentes Estados, sob o argumento de reforçar o “domínio energético” americano.
O secretário do Interior, Doug Burgum, informou a liberação de mais de 13 milhões de acres de terras públicas para projetos ligados ao carvão. Já Wells Griffith, do Departamento de Energia, anunciou a destinação de US$ 625 milhões para expandir o parque gerador a carvão, incluindo US$ 350 milhões voltados à reativação ou modernização de usinas existentes.
O governo sustenta que o fortalecimento da indústria carbonífera é estratégico para garantir segurança energética e sustentar o avanço tecnológico dos EUA, sobretudo na corrida global por liderança em inteligência artificial diante da China. “Nada disso acontecerá sem eletricidade. Precisamos de uma indústria de carvão forte e duradoura”, afirmou Burgum em discurso recente.
Especialistas do setor, porém, avaliam que o movimento pode esbarrar em obstáculos econômicos e estruturais. Após anos de investimentos robustos em fontes renováveis e na expansão do gás natural, o carvão perdeu competitividade. Não há, atualmente, novas usinas termelétricas a carvão em construção no país.
Analistas apontam que, embora algumas plantas possam operar além do prazo inicialmente previsto, a abertura de novas unidades dificilmente se mostrará viável diante da queda de custos das energias renováveis e dos ganhos de eficiência do gás natural. Para parte do mercado, a tentativa de ressuscitar o carvão encontra uma indústria reticente e um cenário energético já transformado.

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