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Trackers ganham espaço em usinas solares e elevam eficiência em projetos no Brasil
Com ganhos de até 25% na geração, seguidores solares avançam no país e influenciam decisões de investimento no setor de energia.
A expansão da energia solar no Brasil tem sido acompanhada por uma mudança relevante no padrão tecnológico dos empreendimentos. Em um mercado que já supera 60 gigawatts (GW) de capacidade instalada e responde por cerca de 23% a 24% da matriz elétrica nacional, a escolha entre estruturas fixas e sistemas com tracker passou a ser decisiva para a competitividade dos projetos.
Os trackers, estruturas móveis que acompanham a trajetória do sol ao longo do dia, vêm se consolidando como padrão em usinas de grande porte (utility-scale). A tecnologia permite ganhos de geração que, no Brasil, variam entre 15% e 25%, dependendo da localização e da configuração do projeto, especialmente em regiões com alta irradiância, como Nordeste e Centro-Oeste.
“O tracker aumenta significativamente o fator de capacidade e melhora o retorno do projeto, principalmente em cenários de preço mais pressionado”, afirma um consultor do setor de geração renovável com atuação em projetos no país. Segundo ele, o ganho energético tende a compensar o maior investimento inicial, sobretudo em contratos de longo prazo no mercado livre.
Esse movimento ocorre em um contexto de amadurecimento do setor. Desde 2012, a fonte solar já atraiu mais de R$ 270 bilhões em investimentos e gerou mais de 1,8 milhão de empregos no Brasil, consolidando-se como a segunda maior fonte da matriz elétrica nacional.
Apesar do avanço tecnológico, a adoção de trackers ainda envolve trade-offs. O CAPEX mais elevado e a maior complexidade operacional, incluindo manutenção e exposição a falhas mecânicas, são fatores que seguem no radar dos investidores. Ainda assim, a queda no custo dos equipamentos e a padronização dos projetos têm reduzido essas barreiras.
Já as estruturas fixas mantêm espaço em nichos específicos, como projetos de menor porte, geração distribuída ou áreas com restrições operacionais. Com menor custo e maior simplicidade, esses sistemas oferecem previsibilidade, ainda que com menor produtividade.
Outro ponto relevante é o perfil de geração. Usinas com tracker tendem a ampliar a produção nas horas de menor incidência solar, início da manhã e final da tarde, contribuindo para uma curva mais estável de entrega de energia. Em um sistema elétrico com crescente participação de renováveis intermitentes, esse atributo ganha importância estratégica.
Mesmo diante de oscilações recentes, como a desaceleração de investimentos e a redução de novos projetos em 2025, o setor solar brasileiro segue como um dos mais dinâmicos do mundo. Nesse cenário, a busca por eficiência tende a consolidar os trackers como tecnologia dominante nas grandes usinas.
Fabricantes de trackers intensificam disputa no Brasil com avanço da energia solar
O crescimento acelerado da energia solar no Brasil tem ampliado a competição entre fabricantes de trackers, consolidando o país como um dos principais mercados globais para a tecnologia. A combinação de alta irradiância, expansão de usinas de grande porte e busca por maior eficiência energética tem atraído tanto líderes internacionais quanto empresas nacionais.
Gigantes globais como Nextracker, Trina Tracker, Arctech, Axial e Enertrack edisputam espaço em projetos utility-scale, trazendo ao país soluções cada vez mais sofisticadas, com integração de softwares de controle, inteligência artificial e otimização de desempenho. Essas empresas têm se destacado principalmente em grandes empreendimentos no Nordeste e no Centro-Oeste, onde o ganho de geração é mais expressivo.
Ao mesmo tempo, fabricantes brasileiros como BrametAL Solar ampliam sua presença, especialmente em projetos que demandam conteúdo local ou estruturas adaptadas às condições específicas do mercado nacional. A produção local também se beneficia de linhas de financiamento e incentivos que favorecem a cadeia doméstica.
“Em 2026, a competitividade do setor solar dependerá diretamente da eficiência técnica e da inovação estrutural. Nossos sistemas foram projetados para entregar o melhor desempenho em qualquer condição geográfica, com confiabilidade e custo otimizado. Na Enertrack, desenvolvemos estruturas robustas, mas ao mesmo tempo leves e modulares, que se adaptam às condições mais exigentes. Nosso foco é entregar soluções completas que combinem engenharia avançada, sustentabilidade e alta rentabilidade para os clientes”, destaca Diego Silva, diretor Comercial da Enertrack LatAM.
Esse cenário competitivo tem pressionado custos e acelerado a evolução tecnológica dos trackers, reduzindo o diferencial de preço em relação às estruturas fixas. Como resultado, os seguidores solares vêm se consolidando como padrão em usinas de grande porte no Brasil.
A tendência, segundo especialistas do setor, é de que a disputa avance para além da estrutura mecânica, incorporando soluções digitais, maior resistência a condições climáticas adversas e ganhos adicionais de eficiência, fatores que devem definir a próxima etapa de expansão da energia solar no país.

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