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TIM aposta em autoprodução de energia eólica para reduzir custos e avançar na agenda sustentável
A operadora recebeu aval do Cade para integrar um consórcio de autoprodução eólica no Piauí, com foco em redução de custos e uso de energia renovável.
A TIM deu mais um passo estratégico para fortalecer sua operação no Brasil ao receber aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para participar de um consórcio de autoprodução de energia eólica no Piauí. A iniciativa, aprovada nesta quinta-feira (8/1), marca a entrada da operadora como sócia em um ativo de geração renovável, com o objetivo de garantir fornecimento energético estável, reduzir despesas operacionais e ampliar o uso de fontes limpas em sua infraestrutura de telecomunicações.
O acordo envolve a CGN Brasil Energia e sua subsidiária Lagoa do Barro X Energias Renováveis, responsável pela usina eólica Aura Queimada Nova 02, localizada no município de Lagoa do Barro (PI). O empreendimento possui potência instalada de 50,6 MW e passará a integrar a estratégia energética da TIM, que deixa de atuar exclusivamente como consumidora para participar diretamente da geração da eletricidade que sustenta sua rede digital.
A movimentação reforça uma tendência crescente entre grandes empresas intensivas em energia: a verticalização do consumo elétrico como forma de mitigar riscos financeiros associados à volatilidade do mercado livre. Para a TIM, que opera uma ampla rede de torres, data centers e infraestrutura 5G, a previsibilidade de custos energéticos é um fator-chave para sustentar planos de expansão e garantir alta disponibilidade de serviço.
Do ponto de vista concorrencial, o Cade concluiu que a operação não gera preocupações relevantes. Segundo a análise técnica, tanto a capacidade da usina quanto o volume de consumo da operadora representam parcelas pouco expressivas da demanda nacional de eletricidade, inferior a 1%. Dessa forma, o consórcio foi considerado pró-competitivo, ao estimular eficiência econômica e investimentos sem afetar a dinâmica do setor elétrico.
O órgão também destacou que não há sobreposição horizontal entre as atividades das empresas envolvidas. Enquanto a TIM atua no segmento de telecomunicações, a CGN Brasil Energia se dedica exclusivamente à geração de energia renovável. Essa separação clara de mercados afasta riscos de concentração ou fechamento de mercado, reforçando a viabilidade do modelo de autoprodução quando aplicado de forma delimitada.
Este não é o primeiro projeto conjunto entre as companhias. Em 2025, o Cade já havia autorizado outra parceria semelhante, envolvendo ativos de geração solar da CGN ainda em fase de implantação. A repetição das iniciativas sinaliza uma estratégia consistente: de um lado, a TIM diversifica e fortalece sua base de suprimento energético; de outro, a CGN amplia sua atuação junto a grandes consumidores corporativos.
A escolha do Piauí reflete o potencial do estado como um dos principais polos eólicos do país, com elevados fatores de capacidade e boa integração ao sistema de transmissão. Essas condições garantem maior estabilidade no fornecimento e tornam a região atrativa para projetos de autoprodução voltados a grandes consumidores.
Apesar da aprovação antitruste, o consórcio ainda depende de análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A autarquia avaliará a transferência das outorgas da usina e o cumprimento dos requisitos regulatórios para a entrada formal da operadora no projeto. Como não há aquisição de novos ativos físicos nem alteração de controle societário, a expectativa é de um processo regulatório sem obstáculos relevantes.

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