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Terranova fecha contrato de mais de R$ 100 milhões com Siemens Energy e avança para erguer polo de data centers em Campinas
Aprovação de acesso à rede e implantação de subestação de 300 MW reforçam corrida por energia de alta capacidade no Brasil, em meio ao avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem.
A Terranova, plataforma de data centers hyperscale criada pelo grupo global Actis, avançou em sua estratégia de expansão no Brasil ao contratar a Siemens Energy para desenvolver a infraestrutura elétrica de seus futuros campi em Campinas, no interior de São Paulo. O contrato, de mais de R$ 100 milhões, foi assinado em paralelo à aprovação de acesso à rede, etapa considerada crítica para projetos de grande consumo energético.
O escopo prevê a implantação de uma subestação com isolamento a gás (GIS) com capacidade de 300 MW, além de dois transformadores de potência de 150 MVA cada, que serão produzidos localmente pela Siemens Energy, em Jundiaí (SP). A estrutura foi desenhada para atender operações de alta densidade computacional, em um momento em que a expansão de inteligência artificial e computação em nuvem amplia a pressão sobre a infraestrutura elétrica disponível.
O projeto evidencia uma mudança de escala no mercado brasileiro de data centers. Mais do que disponibilidade de terrenos ou conectividade, o acesso a energia em grande volume, com previsibilidade e estabilidade operacional, passou a ocupar posição central na decisão de investimento. Nesse contexto, a aprovação de conexão ao sistema elétrico e a contratação antecipada de equipamentos críticos se tornaram etapas decisivas para destravar novos empreendimentos.
A subestação projetada para Campinas terá capacidade equivalente ao consumo de uma cidade com aproximadamente 1,3 milhão de domicílios, o que dimensiona o porte do investimento e a intensidade energética associada à nova geração de infraestrutura digital. A escolha da tecnologia GIS responde à necessidade de maior confiabilidade e compactação, características valorizadas em projetos que exigem elevada disponibilidade e operação contínua.
A Terranova ainda não concluiu os contratos definitivos de fornecimento de energia, mas trabalha com a perspectiva de abastecimento predominantemente renovável, apoiada na composição da matriz elétrica brasileira. O tema ganhou peso adicional entre operadores globais de data centers, sobretudo diante da pressão crescente de clientes e investidores por ativos com menor pegada de carbono.
Ao fechar o contrato com a Siemens Energy, a empresa também sinaliza a intenção de reduzir risco de execução em uma frente considerada sensível para a implantação de campi hyperscale. Em projetos desse porte, infraestrutura elétrica, prazo de conexão e segurança de fornecimento passaram a ser fatores tão estratégicos quanto demanda comercial e localização geográfica.
A movimentação ocorre em um ambiente de expansão acelerada do setor na América Latina. Além do Brasil, a Terranova já anunciou investimentos no México e no Chile e trabalha com uma capacidade potencial de até 1 gigawatt na região nos próximos anos. No caso brasileiro, o avanço em Campinas reforça a avaliação de que o país pode ganhar relevância na atração de investimentos em infraestrutura digital, desde que consiga responder aos gargalos de energia e rede em velocidade compatível com a nova demanda.

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