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Porto Alegre acelera transição energética com ônibus elétricos, biometano e IPTU Verde
Balanço das ações foi repassado ao portal Conecta Energia pela Prefeitura de Porto Alegre e detalha estratégia climática pós-enchentes.
Reconhecida como a capital mais arborizada do Brasil, Porto Alegre tenta transformar seu patrimônio verde em ativo estratégico no enfrentamento às mudanças climáticas. Em meio ao avanço das ondas de calor e aos desafios fiscais do pós-enchentes, a prefeitura acelerou uma agenda que combina energia limpa, mobilidade elétrica, incentivos tributários e revisão do planejamento urbano com foco em critérios ESG.
O balanço atualizado das iniciativas foi repassado ao portal Conecta Energia pela Prefeitura de Porto Alegre e destaca medidas estruturantes voltadas à transição energética e à resiliência climática da capital gaúcha.
Na frente energética, Porto Alegre formalizou adesão ao Pacto de Biometano e à iniciativa internacional Beat the Heat (Enfrente o Calor), durante a COP 30. A estratégia prevê transformar resíduos sólidos em combustível renovável e ampliar soluções urbanas de resfriamento sustentável.
Segundo o prefeito Sebastião Melo, a produção de biometano a partir de aterros em Minas do Leão e São Leopoldo poderá abastecer caminhões que hoje operam com diesel. “Serão dezenas de veículos rodando com combustível mais limpo, mais econômico e menos agressivo ao meio ambiente”, afirmou.
Especialistas apontam o biometano como uma das principais rotas de descarbonização no país, ao reduzir emissões e dar destinação energética a resíduos urbanos. A iniciativa envolve articulação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
No enfrentamento das ondas de calor, a adesão ao Beat the Heat prevê medidas de resfriamento urbano e planejamento resiliente. A cidade aposta em arborização estratégica, corredores de biodiversidade, recuperação do Viveiro Municipal e elaboração do Inventário da Arborização Urbana.
“Porto Alegre está firmemente comprometida com um futuro mais sustentável e resiliente. Nossas ações demonstram que é possível aliar desenvolvimento econômico e qualidade ambiental”, afirmou o secretário municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, Germano Bremm.
100 ônibus elétricos e modelo superarticulado nacional
A agenda de descarbonização também avança no transporte coletivo. A prefeitura anunciou a aquisição de 100 novos ônibus elétricos, com investimento estimado em R$ 447 milhões, incluindo a implantação de estações de recarga de alta capacidade. O financiamento será viabilizado pelo BNDES/Finame, dentro do novo PAC federal.
Além da ampliação da frota, foi apresentado o modelo superarticulado e-Bus, com 21,5 metros de comprimento e capacidade para até 146 passageiros. O veículo é resultado da parceria entre Eletra, Mercedes-Benz, Caio e WEG, com autonomia de 250 quilômetros e sistema de freio regenerativo.
“É mais um esforço da prefeitura para qualificar o transporte coletivo e investir na transição energética na Capital. Contamos com o apoio dos vereadores para garantirmos mais conforto, segurança e sustentabilidade aos porto-alegrenses”, afirmou o prefeito. Segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior, a operação elétrica pode ser até 65% mais barata que a movida a diesel, além de reduzir ruído e eliminar emissões diretas de poluentes.
Desde agosto de 2024, três linhas 100% elétricas já operam na cidade e transportaram 1,2 milhão de passageiros em um ano. A substituição do diesel evitou a emissão de 874 toneladas de gases poluentes, equivalente à queima de mais de 263 mil litros de combustível fóssil.
Novo Plano Diretor com foco climático
A proposta do novo Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) coloca a pauta climática no centro do planejamento. Entre os cinco objetivos centrais estão adaptação às mudanças climáticas, neutralização de emissões, cidade compacta, redução do tempo de deslocamento e fortalecimento da gestão baseada em dados.
O plano prevê corredores verdes, taxa de permeabilidade do solo, incentivo a certificações sustentáveis em novas construções e ampliação da rede cicloviária, além de estímulo ao transporte hidroviário no Guaíba.
A gestão também aposta na criação do Centro de Inteligência Territorial (CIT), com dados georreferenciados para orientar decisões urbanas. “Vamos perseguir esses cinco objetivos como princípios fundamentais para moldar o futuro de Porto Alegre. A prioridade é entregar uma cidade sustentável, eficiente e acessível”, afirmou o secretário Germano Bremm.
IPTU Verde e incentivos ESG
No campo fiscal, imóveis que adotarem práticas sustentáveis poderão obter até 10% de desconto no IPTU, conforme regulamentação municipal. O percentual varia de acordo com o nível de certificação ambiental (Bronze, Prata, Ouro e Diamante).
O programa considera critérios como eficiência energética, uso racional da água, gestão de resíduos, mobilidade, escolha de materiais e conservação da biodiversidade. “As novas regras representam um passo importante para estimular a responsabilidade ambiental por parte dos contribuintes, alinhando o incentivo fiscal ao compromisso da prefeitura com a sustentabilidade e o equilíbrio das contas públicas”, destaca a secretária da Fazenda, Ana Pellini.
Energia limpa no saneamento
A política de energia renovável também alcança o saneamento. Desde abril de 2024, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) passou a adquirir energia limpa no mercado livre.
A medida já reduziu em mais de 5 mil toneladas as emissões de CO2, volume equivalente à absorção anual de carbono de cerca de 350 mil árvores. A expectativa é que, a partir de 2026, a redução chegue a 7 mil toneladas por ano. Além do impacto ambiental, a estratégia permitiu economia estimada em R$ 20 milhões até o fim deste ano, segundo a prefeitura.
As iniciativas colocam a capital gaúcha em sintonia com a agenda global de descarbonização, combinando políticas públicas de energia, mobilidade, planejamento urbano e incentivos fiscais.
Ao apostar na combinação entre arborização histórica, transição energética e planejamento orientado por dados, a capital gaúcha busca transformar a crise climática em vetor de inovação e fazer da agenda ESG não apenas um discurso, mas política pública estruturante.

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