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Órsted vai à Justiça contra governo Trump e denuncia retrocesso dos EUA na agenda de energia limpa
Suspensão de projeto eólico offshore bilionário expõe insegurança regulatória e críticas à política energética da administração Trump.
A empresa dinamarquesa de energias renováveis Ørsted entrou com uma ação judicial contra a administração de Donald Trump após a decisão do governo norte-americano de suspender o projeto Revolution Wind, um empreendimento de energia eólica offshore instalado na costa leste dos Estados Unidos. A companhia informou que solicitará uma medida cautelar para tentar reverter a decisão, que classifica como prejudicial e injustificada.
Em comunicado, a Ørsted afirma que a continuidade da ordem de suspensão provoca prejuízos significativos ao projeto, repetindo um cenário já vivido em agosto de 2025, quando o governo Trump interrompeu os trabalhos pela primeira vez. Segundo a empresa, recorrer aos tribunais tornou-se uma etapa necessária para proteger os direitos do empreendimento e os investimentos já realizados.
A decisão mais recente veio à tona em 22 de dezembro, quando o departamento federal responsável por assuntos internos anunciou a paralisação de cinco projetos de energia renovável ao longo da costa leste, alegando riscos à segurança nacional — sem, no entanto, apresentar explicações técnicas ou dados concretos que sustentassem a medida. A falta de transparência tem sido alvo de críticas do setor energético e de investidores internacionais.
O projeto Revolution Wind é desenvolvido em parceria entre a Ørsted e a Skyborn Renewables, cada uma com 50% de participação na joint venture. Juntas, as empresas já investiram cerca de cinco bilhões de dólares no empreendimento, que agora corre o risco de não sair do papel. Para analistas do setor, a postura do governo Trump representa um retrocesso na política energética dos Estados Unidos e mina a confiança de empresas estrangeiras no ambiente regulatório do país.
O mercado reagiu de forma positiva à decisão da Ørsted de buscar a via judicial. Na manhã do anúncio, as ações da companhia subiam 3,39% na bolsa europeia, movimento que se espalhou por outras empresas do setor com exposição ao mercado norte-americano. A EDP Renováveis avançou 2,33%, enquanto grupos como Elia e RWE registraram altas superiores a 2%.
A postura do governo Trump também já havia provocado reações anteriores. Em setembro, a EDP Renováveis sinalizou que poderia adotar estratégia semelhante à da Ørsted, contestando judicialmente a intenção da administração republicana de cancelar uma licença para um projeto eólico offshore. O episódio reforça as críticas de que a política energética de Trump, marcada por desconfiança em relação às energias renováveis, cria instabilidade regulatória e afasta investimentos justamente em um momento em que a transição energética ganha escala global.
Para especialistas, o caso da Ørsted evidencia um conflito crescente entre governos que resistem à agenda climática e empresas que apostam em energia limpa como pilar econômico e ambiental do futuro.

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