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Novo CEO da Bow-e aposta em IA para revolucionar o setor de energia
Com Ciro Neto como novo CEO, Bow-e aposta em estratégia “AI First” para ganhar escala no mercado de energia por assinatura.
Em um setor ainda marcado por adoção gradual de tecnologias digitais, a Bow-e, operadora de energia renovável por assinatura do Grupo Bolt, decidiu reposicionar sua estratégia com a inteligência artificial no centro do modelo de negócios. A companhia pretende se tornar a primeira empresa de geração distribuída do país a operar sob uma lógica “AI First”, em que ganhos de eficiência tecnológica se traduzam diretamente em crescimento de receita e margem.
A mudança ocorre em meio a uma reestruturação liderada pelo novo CEO, Ciro Neto, que assumiu a missão de reorganizar as operações com foco em produtividade, escala e resultados mensuráveis. A proposta é ir além da digitalização incremental, comum no setor elétrico, e promover uma transformação estrutural apoiada em dados e automação.
O movimento acompanha um ciclo de expansão acelerada. A empresa encerrou 2025 com 15 mil clientes ativos e faturamento mensal de R$ 10 milhões, avanço de cinco vezes em relação ao ano anterior. No mesmo período, gerou economia de R$ 33 milhões nas contas de energia de seus clientes. Para 2026, a meta é atingir 26 mil clientes, superar R$ 15 milhões de receita mensal e proporcionar economia anual de R$ 57 milhões.
Segundo o CEO, o objetivo é reposicionar a energia, tradicionalmente tratada como commodity, como um serviço orientado por eficiência e inteligência operacional. “A inteligência artificial precisa impactar diretamente receita, margem e experiência do cliente. Caso contrário, se limita a discurso”, afirma.
Automação como vetor de crescimento
A estratégia tecnológica prevê a implementação de múltiplos agentes de IA, integrados a diferentes modelos de linguagem e bases de dados. A expectativa é automatizar entre 80% e 100% das atividades operacionais nas áreas de vendas, atendimento e cobrança até o segundo semestre de 2026.
O cronograma inclui a automação completa de Inside Sales até junho, atendimento ao cliente até julho e processos de cobrança até setembro. A empresa aposta que a padronização e a velocidade operacional serão diferenciais competitivos em um cenário de abertura do mercado livre de energia.
No portfólio, a Bow-e atende tanto grandes corporações, como instituições financeiras e redes de varejo, quanto pequenas e médias empresas, que buscam previsibilidade de custos diante da volatilidade tarifária.
IA proprietária e experiência do cliente
No centro da estratégia está o Davi, sistema proprietário de inteligência artificial que evolui de um assistente virtual para uma plataforma integrada de gestão da experiência do cliente. A ferramenta foi desenvolvida para oferecer atendimento personalizado e resolutivo, com adaptação de linguagem e abordagem conforme o perfil do usuário.
A tecnologia combina interface conversacional, roteamento inteligente e aprendizado contínuo a partir do comportamento da base de clientes e de dados do setor energético. A proposta é reduzir o tempo de resposta e aumentar a taxa de resolução no primeiro contato.
Internamente, a companhia define o conceito como uma experiência “100% digital e 100% humana”, buscando equilibrar escala com personalização.
A adoção do modelo “AI First” também reforça o posicionamento comercial da empresa. Para grandes clientes, a estratégia é atuar como uma espécie de “alfaiataria energética”, estruturando contratos sob medida. Já para pequenas e médias empresas, a proposta é simplificar o acesso à energia renovável com economia e gestão digital.
Caso execute o plano conforme previsto, a Bow-e poderá não apenas ampliar sua participação na geração distribuída, mas também influenciar a forma como empresas do setor incorporam tecnologia em suas operações.
CIRO NETO ASSUME A BOW-E COM TRAJETÓRIA MARCADA POR TRANSIÇÃO ENTRE TELECOMUNICAÇÕES E ENERGIA
Quando Ciro Neto iniciou sua carreira no setor de telecomunicações, há cerca de duas décadas, o Brasil vivia a expansão acelerada da telefonia e da internet. Foi nesse ambiente competitivo, orientado por metas agressivas e foco em escala, que o executivo gaúcho construiu sua base profissional, longe, ainda, de imaginar que acabaria liderando uma empresa em um setor tão diferente quanto o de energia.
Hoje, aos 43 anos, ele assume o comando da Bow-e, empresa de energia por assinatura do Grupo Bolt, com a missão de conduzir uma transformação baseada em tecnologia e novos modelos operacionais. A trajetória até aqui, no entanto, não foi linear.
A escola das telecomunicações
Formado em Administração de Empresas, Ciro Neto passou cerca de 15 anos no setor de telecom, com passagens por empresas como Oi e Net. Atuando tanto no varejo quanto no segmento corporativo, desenvolveu carreira na área comercial, onde aprendeu a operar em ambientes de alta pressão por resultados.
Foi nesse período que construiu sua principal especialidade: estruturação de canais de venda, gestão de equipes e expansão de base de clientes, competências que mais tarde se tornariam centrais em sua atuação no setor de energia. “A dinâmica de telecom exige velocidade, adaptação constante e foco total no cliente. É uma escola muito forte para qualquer executivo”, relata, um ex-assessor de imprensa da Oi, que trabalhou ativamente com Ciro e atesta seu diferencial executivo.
Além da formação em Administração, buscou ampliar seu repertório com uma pós-graduação em Psicologia Positiva pela PUC-RS, incorporando à sua atuação uma visão mais voltada à gestão de pessoas e cultura organizacional.
A virada para o setor de energia
A mudança de rota veio há cerca de cinco anos, quando decidiu migrar para o setor elétrico, movimento que tem se tornado mais comum à medida que o mercado de energia passa por abertura e digitalização.
Sua primeira experiência relevante foi na 2W Energia, onde assumiu a diretoria de Varejo. Ali, esteve envolvido na expansão das operações voltadas a pequenas e médias empresas, um dos segmentos com maior potencial de crescimento no mercado livre.
Na sequência, foi para a Auren, onde ocupou o cargo de diretor de Comercialização por cerca de um ano e meio. Na empresa, participou da execução de uma estratégia de crescimento focada na ampliação da atuação no mercado livre de energia, especialmente nas regiões Sudeste e Sul.
O período coincidiu com um momento de inflexão no setor, marcado por maior competição e pela entrada de novos perfis de consumidores.
O desafio na Bow-e
A chegada à Bow-e representa um novo capítulo, e, possivelmente, o mais ambicioso. Como CEO, Ciro Neto assume a responsabilidade de escalar a operação da empresa e consolidar um modelo de negócios baseado em tecnologia e eficiência.
A companhia faz parte do Grupo Bolt, que reúne diferentes frentes no setor de energia e registra faturamento superior a R$ 1 bilhão. Mais do que crescer, o desafio, segundo o executivo, é construir um modelo replicável e adaptado a um mercado em transformação. A experiência acumulada em telecom e energia, dois setores que passaram (ou ainda passam) por ciclos intensos de mudança, é vista como um diferencial para essa nova fase.
A transição de carreira, que começou como um movimento estratégico, hoje parece alinhada a uma tendência maior: a convergência entre setores tradicionais e tecnologia, onde perfis híbridos, com visão comercial e capacidade de execução, ganham espaço.
No caso de Ciro Neto, essa convergência deixou de ser apenas uma oportunidade e se tornou o centro da sua trajetória.

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