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Natura investe em biometano em Cajamar e corta 1,3 mil toneladas de CO2 por ano
Parceria com a Ultragaz transforma lixo de aterro em combustível, abastece 100% da frota local e já responde por 45% da energia da fábrica.
A Natura inaugurou em Cajamar (SP) uma unidade de biometano que passa a suprir 45% da energia utilizada nos processos produtivos do complexo industrial e a abastecer integralmente a frota de 28 caminhões que operam na região metropolitana de São Paulo. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Ultragaz, deve reduzir até 1,3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano.
O combustível é produzido a partir da captura e purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. No caso do projeto, o biometano tem origem no aterro de Caieiras (SP), que processa cerca de 3.000 toneladas de lixo por dia. O gás renovável substitui o etanol antes utilizado pela frota do complexo.
Segundo a empresa, o biometano tem pegada de carbono aproximadamente 50% menor que a do etanol derivado da cana-de-açúcar. A mudança integra a estratégia da companhia de zerar as emissões líquidas até 2030.
“O biometano opera dentro de um modelo de circularidade, já que os resíduos dos aterros são transformados em um gás equivalente ao natural e reinseridos na indústria”, afirma Denise Leal, diretora de operações da Natura.
Integração entre fábrica e logística
O projeto, iniciado em maio do ano passado, conecta operações industriais e logística. Os caminhões movidos a biometano têm autonomia média de 500 quilômetros e realizam o abastecimento em cerca de dez minutos na estação instalada dentro do complexo, estrutura semelhante a um posto de combustíveis. Em postos rodoviários convencionais, o mesmo procedimento pode levar até 50 minutos.
Nas caldeiras industriais, o uso do gás elevou a eficiência energética em mais de 15%, segundo a empresa.
Para Erik Trench, diretor de gases renováveis da Ultragaz, o modelo descentralizado de produção favorece a expansão da oferta no país. A companhia afirma trabalhar na ampliação de pontos de abastecimento em rodovias e centros de distribuição.
Infraestrutura ainda é entrave
Apesar dos avanços, a limitação da infraestrutura fora dos grandes centros é apontada como principal desafio para a expansão do biometano no transporte de longa distância.
“Um veículo que sai de Cabreúva (SP) com destino a São Filipe (BA) precisa ter garantia de abastecimento ao longo do trajeto. Não basta desenvolver tecnologia para veículos a gás; é preciso garantir oferta em escala”, afirma Leal.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o Estado de São Paulo concentra metade das plantas de biometano autorizadas no país e lidera a produção do combustível renovável derivado de resíduos orgânicos. A região Sul também se destaca na geração de bioenergia.
A poucos meses de completar um ano de operação, a unidade de Cajamar poderá servir de modelo para outras regiões, dependendo da expansão da rede de abastecimento e da articulação entre empresas e poder público.

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