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Minas lidera energia solar no Brasil e aposta em hidrogênio verde e biometano para atrair investimentos
Em respostas ao portal Conecta Energia, governo mineiro detalha políticas para ampliar matriz renovável, reduzir emissões e fortalecer indústria de baixo carbono.
Minas Gerais consolidou-se como o principal polo de geração de energia solar do país e prepara novos movimentos para avançar em biogás, biometano, mobilidade sustentável e hidrogênio verde. As informações foram enviadas ao portal Conecta Energia, que encaminhou uma série de perguntas ao governo estadual sobre estratégias para o setor. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) detalhou as ações em curso e os próximos passos da política energética mineira.
Com 13,7 gigawatts (GW) de potência instalada em energia solar, considerando geração centralizada e distribuída, Minas ocupa a primeira posição no ranking nacional. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2024, o estado respondeu por 23% da geração solar do país, o equivalente a 16.400 gigawatts-hora (GWh) no ano passado.

De acordo com a Sede-MG, o desempenho é resultado de um conjunto de fatores naturais e regulatórios. A elevada incidência solar e a disponibilidade territorial favorecem a instalação de usinas e sistemas distribuídos. A produtividade média anual dos sistemas fotovoltaicos no estado é de 1.354 kWh por kWp instalado.
O governo atribui parte do avanço ao programa Sol de Minas, voltado à expansão da geração fotovoltaica e ao fortalecimento da cadeia produtiva. A iniciativa inclui capacitação de gestores municipais, simplificação de licenciamento ambiental, incentivos fiscais e acesso a crédito por meio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
Além disso, o estado adotou um arcabouço legal que concede tratamento tributário diferenciado para equipamentos e sistemas de micro e minigeração distribuída até 2032.
O governo de Minas Gerais publicou, nesta semana, no Diário Oficial do Estado, o Decreto 49.172/2026, regulamentando as Leis 24.396/2023 e 24.940/2024, que tratam sobre as políticas estaduais do biogás e biometano e do hidrogênio de baixo carbono e hidrogênio verde, respectivamente. A normativa também trouxe diretrizes para o compartilhamento e a integração da infraestrutura de gás canalizado para a distribuição desses biocombustíveis.
O governador Romeu Zema afirma que o avanço é resultado de planejamento estratégico e ambiente regulatório favorável.
“Minas Gerais decidiu ser protagonista na transição energética brasileira. Criamos um ambiente seguro para investimentos, simplificamos processos e demos previsibilidade jurídica. Hoje somos líderes em energia solar porque trabalhamos com planejamento e responsabilidade fiscal”, disse o governador.
Biogás e biometano ganham espaço no agro
Outro eixo da política energética mineira é a ampliação do uso de biogás e biometano, especialmente no setor agroindustrial. Segundo o governo, a conversão de resíduos urbanos e agropecuários em energia contribui para diversificar a matriz energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Cadeias como suinocultura, avicultura, bovinocultura, laticínios e indústria sucroenergética passam a utilizar dejetos e efluentes como insumo energético.
O biogás pode ser empregado para geração elétrica e térmica, enquanto o biometano pode substituir o gás natural em processos industriais e no transporte de cargas. A política estadual é respaldada por legislação específica que institui a Política Estadual do Biogás e do Biometano e equipara sua regulação à do gás natural.
Mobilidade sustentável e meta de neutralidade
Minas Gerais foi o primeiro ente subnacional da América Latina a aderir à campanha global Race to Zero, em 2021, comprometendo-se a neutralizar suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050.
O Plano Estadual de Ação Climática (PLAC-MG) estabelece diretrizes para reduzir emissões no setor de transportes, considerado um dos principais vetores de poluição no estado. Entre as medidas estão o estímulo à eletrificação da frota, incentivo a combustíveis renováveis e integração da mobilidade sustentável ao planejamento urbano.
O governo também concede isenção de IPVA para veículos elétricos, híbridos e movidos a etanol ou gás natural. Por meio da Invest Minas, o estado desenvolve a chamada Rota da Descarbonização, que prevê roadmaps setoriais para orientar a transição para tecnologias de menor intensidade de carbono.
Hidrogênio verde entra na agenda estratégica
Minas também busca se posicionar como polo de hidrogênio de baixo carbono, considerado estratégico na transição energética global. Entre as iniciativas estão o Plano Estadual de Hidrogênio de Baixa Emissão e a política estadual específica para o setor. O estado aposta em sua base de geração solar e no ecossistema de pesquisa para atrair investimentos.
Projetos em andamento incluem o roadmap de hidrogênio verde da Cemig, o Centro de Hidrogênio Verde da Universidade Federal de Itajubá e iniciativas industriais como a planta da Eletrobras Furnas na UHE Itumbiara.
Zema afirma que o objetivo é posicionar Minas no cenário internacional:
“Estamos criando as bases para que Minas seja referência em hidrogênio verde na América Latina. Temos energia renovável, indústria forte e um ambiente seguro para o investidor.”
Desafios estruturais
Apesar do avanço, o governo reconhece desafios. Entre eles estão a necessidade de reduzir a dependência histórica da geração hidrelétrica, ampliar sistemas de armazenamento por baterias (BESS) e facilitar o acesso a financiamento para pequenos produtores e comunidades tradicionais.
A meta central permanece vinculada ao PLAC-MG: atingir neutralidade de emissões até 2050, ampliar a participação de fontes renováveis e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis.
Ao responder ao Conecta Energia, o governo afirma que as ações já implementadas posicionam Minas como ambiente competitivo para investimentos em energia limpa. A estratégia, segundo o estado, combina sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e geração de empregos, transformando a transição energética em vetor de desenvolvimento econômico.
Zema também destacou o impacto econômico da expansão solar:
“A energia solar não é apenas uma pauta ambiental. Ela gera emprego, atrai indústrias e movimenta toda uma cadeia produtiva. Estamos transformando sustentabilidade em desenvolvimento econômico.”
Energia limpa em Minas Gerais – principais números
| Indicador | Número / Meta |
|---|---|
| Potência instalada em energia solar | 13,7 GW |
| Participação na geração solar nacional | 23% |
| Geração solar em 2024 | 16.400 GWh |
| Municípios com empreendimentos solares | 100% (853 cidades) |
| Produtividade média fotovoltaica | 1.354 kWh/kWp/ano |
| Meta de neutralidade de carbono | 2050 |
| Incentivo fiscal para microgeração | Isenção até 2032 |
| IPVA para veículos elétricos e híbridos | Isento |

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