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Mercado bilionário de baterias coloca o Brasil no radar global da transição energética para evitar perdas e garantir segurança elétrica
Com protagonismo de empresas como a Sungrow, mercado de baterias ganha força e pode movimentar bilhões nos próximos anos.
O Brasil figura entre os maiores produtores de energia renovável do planeta, ocupando a terceira posição mundial em capacidade instalada, com 213 gigawatts provenientes de fontes limpas. O levantamento, divulgado pela Agência Internacional de Energia Renovável em abril de 2025, coloca o país atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Apesar do desempenho expressivo, um desafio estrutural ainda limita o aproveitamento pleno dessa produção: a falta de sistemas de armazenamento e de integração da rede elétrica.
Estimativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que cerca de 17% da energia gerada no país acaba sendo desperdiçada. O problema é mais evidente no Nordeste, região onde mais de 70% da matriz elétrica é composta por fontes solar e eólica, altamente dependentes das condições climáticas e ainda pouco integradas a soluções de estocagem.
Esse cenário, no entanto, tende a mudar com a expansão do mercado de baterias. Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), Fábio Lima, o avanço dessa tecnologia representa um divisor de águas para o setor elétrico nacional. Segundo ele, o armazenamento deve se espalhar por todo o território, com destaque para o Nordeste, o agronegócio, sistemas isolados da Amazônia e comunidades ribeirinhas, onde a combinação entre geração solar e baterias já começa a ganhar espaço.
Os sistemas de armazenamento permitem guardar a energia produzida nos períodos de maior incidência solar e de ventos para utilizá-la em momentos de baixa geração, como à noite ou nos horários de pico de consumo. De acordo com projeções da Absae, esse mercado pode gerar cerca de R$ 70 bilhões em receitas até 2034, beneficiando desde grandes indústrias e centros comerciais até hospitais e empreendimentos rurais.
Além de evitar perdas, o uso de baterias contribui para reduzir a necessidade de acionar fontes mais caras e poluentes, como as usinas termoelétricas. Nesse contexto, o armazenamento passa a ser visto como peça-chave para garantir eficiência, segurança e previsibilidade ao sistema elétrico brasileiro.
Durante a COP 30, realizada em Belém do Pará, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou a realização do primeiro leilão de reserva de capacidade voltado exclusivamente a sistemas de armazenamento por baterias. O certame, previsto para abril, permitirá que empresas do setor armazenem e forneçam energia elétrica ao sistema nacional. As regras estabelecem potência mínima de 30 MW, com recarga completa em até seis horas e operação prevista a partir de agosto de 2028, por um período de dez anos. A expectativa é contratar até 2 GW.
O anúncio despertou o interesse de companhias nacionais e multinacionais, que veem o armazenamento como a próxima fronteira do setor elétrico. Entre elas está a chinesa Sungrow, que atua há mais de oito anos no Brasil e vem ampliando sua presença no mercado local.
“Estamos em uma fase estratégica de consolidação e transformação do setor solar brasileiro, que vive o amadurecimento do mercado e enfrenta desafios como o curtailment e o fluxo reverso. As soluções de armazenamento surgem como caminho natural para garantir estabilidade e previsibilidade ao crescimento da energia solar no país. A expectativa é de uma nova onda de expansão para 2026, impulsionada pela adoção de tecnologias mais inteligentes e integradas. A Sungrow segue em trajetória de crescimento acelerado no Brasil. Com mais de oito anos de atuação, somos líderes de mercado e nos destacamos pela oferta de inversores disruptivos, altamente eficientes e conectados, que elevam o desempenho e a confiabilidade dos projetos fotovoltaicos. Contamos ainda com grandes diferenciais competitivos, como estrutura própria de suporte técnico, engenharia, comissionamento, pós-venda e warehouses locais, garantindo agilidade logística e atendimento especializado em todo o território nacional”, destaca Eduardo Gama, Diretor Comercial da Sungrow no Brasil.
Em 2025, a Sungrow apresentou ao mercado brasileiro o PowerStack (foto), sistema de armazenamento voltado a aplicações comerciais e industriais, com arquitetura modular e elevados padrões de segurança. A empresa também lançou a linha PowerTitan, desenvolvida para projetos de grande porte e já alinhada aos requisitos técnicos do leilão de capacidade, reforçando sua posição como referência global em sistemas de armazenamento por baterias.
Com uma matriz elétrica formada majoritariamente por fontes renováveis — que já representam mais de 91% da geração nacional, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica —, o Brasil reúne condições estratégicas para liderar a transição energética. O avanço do armazenamento pode ser o elo que faltava para transformar potencial em eficiência e consolidar o país como referência mundial em energia limpa.

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