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Itaipu estreia no mercado de I-RECs com leilão inédito e rastreabilidade total
Parceria com a CCEE marca um novo capítulo para a certificação de energia renovável no Brasil.
A Itaipu Binacional e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) anunciaram na terça-feira (3/1) a realização da primeira chamada pública para a venda de Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-RECs) da usina. A iniciativa marca a estreia comercial dos certificados da maior geradora de energia limpa da América Latina e inaugura um novo modelo de rastreabilidade e governança para ativos ambientais no mercado brasileiro.
Os certificados são referentes à energia produzida por Itaipu em 2025 e serão registrados na Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável, desenvolvida pela CCEE. Além da certificação internacional do padrão I-REC, os ativos receberão o Selo CCEE Origem, que garante o acompanhamento integral da energia desde a geração até o consumo final, com base na base oficial de dados de medição da Câmara.
A operação reúne a reputação internacional da Itaipu em geração renovável e a estrutura institucional da CCEE, responsável pela organização e condução do processo concorrencial de comercialização. Lançada em outubro de 2024, a plataforma foi criada para ampliar a transparência e a confiabilidade do mercado de certificados no Brasil, utilizando dados oficiais de medição como elemento central de validação dos ativos.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Alexandre Ramos, o modelo foi estruturado para atender operações de grande porte e elevado grau de exigência regulatória. De acordo com ele, ao operacionalizar a venda dos certificados da Itaipu, a Câmara reforça seu papel na garantia da integridade ambiental dos ativos utilizados por empresas em estratégias de descarbonização.
Na prática, cada I-REC ofertado contará com dupla certificação, combinando o reconhecimento internacional do padrão com o Selo CCEE Origem, que atesta a rastreabilidade e a conformidade ambiental da energia. O processo será realizado em formato totalmente digital, com acesso remoto e integração direta com sistemas de registro e medição.
Para a Itaipu Binacional, a operação consolida uma nova frente de atuação relacionada à transição energética e à valorização ambiental da geração hidrelétrica. A empresa passou a atuar no mercado de I-RECs em 2025, após o lançamento oficial dos certificados durante a COP30, realizada em Belém.
O diretor financeiro executivo da Itaipu, André Pepitone, afirmou que o ingresso da usina no mercado de certificação representa um marco para a empresa e reforça o compromisso da Binacional com a sustentabilidade e a transição energética.
Além da certificação energética, os compradores dos I-RECs receberão o Selo I-REC Itaipu, que indica apoio direto a projetos socioambientais desenvolvidos pela usina, com foco em conservação ambiental, proteção de recursos hídricos e desenvolvimento das comunidades do entorno.
A venda dos certificados ocorrerá por meio de um mecanismo concorrencial on-line, entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 2026. Antes do início do processo, será realizada uma live explicativa no dia 5 de fevereiro, às 10h, com orientações sobre habilitação, regras do edital e uso da plataforma. O cronograma prevê ainda etapas de esclarecimento de dúvidas, workshop técnico, publicação da versão final do edital e divulgação dos resultados preliminares no início de março. O edital e os formulários de participação estão disponíveis no Portal da CCEE.
A entrada da Itaipu no mercado de certificação ocorre em um contexto de crescimento da demanda por instrumentos de comprovação do uso de energia renovável no país, impulsionada por metas corporativas de descarbonização, compromissos ESG e exigências de cadeias globais de suprimento. Estimativas do setor indicam que o mercado brasileiro de I-RECs deve passar de cerca de 73 milhões de certificados comercializados em 2025 para aproximadamente 90 milhões em 2026.
A iniciativa conjunta entre Itaipu e CCEE amplia a oferta de certificados no país e estabelece um novo padrão de governança para ativos ambientais, com potencial para fortalecer a credibilidade do mercado brasileiro e ampliar a participação do Brasil no mercado global de energia limpa certificada.

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