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Inovação no campo: Rio Grande do Sul inaugura primeira usina de etanol de trigo do país
Usina pioneira em Santiago inicia operação comercial e reforça o papel das culturas de inverno na transição energética.
O município de Santiago, localizado no Vale do Jaguari, no Rio Grande do Sul, passa a integrar o mapa da inovação energética brasileira com o início das atividades da primeira usina do país autorizada a produzir etanol hidratado a partir do trigo. A planta industrial da CB Bioenergia começa sua operação comercial na segunda-feira (12), com capacidade inicial de gerar 43 mil litros diários do biocombustível.
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O empreendimento recebeu investimentos da ordem de R$ 100 milhões, dos quais R$ 30 milhões foram viabilizados por meio de financiamento do governo do Estado, através do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Os recursos fazem parte de linhas de crédito voltadas ao estímulo da inovação no setor industrial.
Além do trigo, a estrutura industrial foi projetada para processar outros grãos, como triticale, cevada e milho, ampliando as possibilidades produtivas e fortalecendo a diversificação agrícola. Para o diretor de Operações do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, o avanço da produção de biocombustíveis representa uma oportunidade estratégica para o agronegócio gaúcho, especialmente no aproveitamento das culturas de inverno.
A liberação para o início das atividades foi concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com autorização publicada na última quinta-feira (8). O projeto já havia obtido, em novembro do ano passado, a licença de operação ambiental concedida pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura e pela Fepam.
Segundo Leonardo Busatto, diretor de Planejamento do BRDE, a iniciativa vai além do impacto econômico, ao contribuir para práticas produtivas mais sustentáveis e para o avanço da transição energética no país. Além do etanol, a usina também produzirá álcool neutro e subprodutos destinados à fabricação de ração animal.

O potencial das culturas de inverno no fornecimento de matéria-prima para biocombustíveis foi tema de debate promovido pelo BRDE durante a Expointer de 2025. Atualmente, o Rio Grande do Sul responde por pouco mais de 20% da chamada segunda safra, número que pode crescer com projetos inovadores como o de Santiago.

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