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Governo Lula abandona energia solar e repete lógica de Trump, enquanto setor encolhe no Brasil

Governo Lula abandona energia solar e repete lógica de Trump, enquanto setor encolhe no Brasil

Ausência de políticas públicas, insegurança regulatória e silêncio do governo federal provocam queda de investimentos, cancelamento de eventos e perda de empregos no setor de energia renovável.

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O setor de energia solar no Brasil vive um dos seus momentos mais críticos desde o início da expansão da geração distribuída e centralizada. A combinação de omissão do governo federal, falta de diretrizes claras, insegurança regulatória e total ausência de protagonismo político tem levado o mercado à retração, com queda acentuada de investimentos, fechamento de empresas, redução de empregos e desaceleração da transição energética.

Na prática, o governo de Luis Inácio Lula da Silva, que se apresenta internacionalmente como defensor da agenda ambiental, tem adotado uma postura semelhante à lógica de Donald Trump nos Estados Unidos, ao negligenciar políticas estruturantes para as energias renováveis e deixar o setor solar à própria sorte. O discurso verde não se traduz em ações concretas.

Nos últimos 12 meses, a deterioração do ambiente de negócios no setor de energia já se materializou em pedidos de recuperação judicial de empresas relevantes, como 2W, Gold Energia, Elétron e Serrana Solar. Os casos atingem tanto a geração e comercialização no mercado livre de energia quanto a cadeia solar, evidenciando um cenário de insegurança regulatória, retração de investimentos e falta de coordenação do governo federal.

Em vez de criar condições para estabilidade e crescimento das renováveis através da Aneel ou MME, o governo assiste passivamente à crise, enquanto prioriza petróleo e carvão, aprofundando o enfraquecimento de um setor estratégico para a transição energética, geração de empregos e competitividade do País.

Esse cenário já se reflete de forma clara nos principais eventos do setor. A SNEC China, a NürnbergMesse Brasil e a Oakstream anunciaram o cancelamento da SNEC PV & ES LATAM 2026, edição latino-americana de um dos maiores eventos globais de energia solar fotovoltaica, armazenamento de energia e eletromobilidade, que aconteceria entre 24 e 26 de março de 2026, em São Paulo (SP).

Apesar de reconhecerem o potencial estrutural do mercado latino-americano, as organizadoras afirmaram que não existem, neste momento, condições de mercado adequadas para a realização do evento no Brasil. A decisão expõe o enfraquecimento do setor, diretamente ligado à ausência de políticas públicas e de um ambiente favorável aos investimentos.

O cancelamento não é um caso isolado. O Energyear São Paulo, realizado nos dias 4 e 5 de fevereiro, teve participação fraca de empresas, poucos negócios efetivos e relevância limitada. O evento acabou servindo mais como palco para novos “coachs” do mercado e debates teóricos sobre BESS, leilões e curtailment, sem qualquer participação ou direcionamento do governo federal. Sem direcionamento e regulamentação do estado, o mercado não se sustenta sozinho.

Em 2025, o mesmo padrão já havia sido observado em eventos tradicionais como a Intersolar South America, tanto em São Paulo, quanto em Porto Alegre, que registraram queda expressiva de público, menos expositores e baixo volume de negócios. O que antes era termômetro de crescimento virou reflexo da estagnação.

Empresas substituem grandes feiras por eventos próprios para sobreviver à retração do mercado

Diante desse vazio institucional, muitas empresas passaram a abandonar grandes feiras nacionais e a investir em eventos regionais, fechados e estratégicos, com público-alvo definido e foco em negócios reais. Iniciativas como o ESS Tech Day e o Sungrow Experience, promovidos pela Sungrow, mostram que o problema não é falta de interesse do mercado, mas sim a ausência de um ambiente macroeconômico e regulatório minimamente estimulante.

Fabricantes e fornecedores como a WEG, Solis, Huawei Digital Power, Growatt, GoodWe, BYD, Canadian Solar, Trina Solar, Jinko Solar e SMA, entre outros, têm promovido roadshows, workshops técnicos, dias de experiência, treinamentos regionais e eventos fechados para seus parceiros estratégicos. Essas ações substituem, na prática, o papel que antes era exercido pelos grandes eventos nacionais.

Essa mudança de estratégia não representa fortalecimento do setor, mas sim uma resposta defensiva à falta de coordenação pública. O mercado passou a operar de forma isolada, sem integração, sem visão de longo prazo e sem uma agenda nacional clara para energia solar, armazenamento e eletromobilidade.

Governo prioriza petróleo e carvão, como a exploração na foz do Amazonas

Enquanto o setor solar enfrenta retração, abandono institucional e perda de investimentos, o governo Lula prioriza deliberadamente fontes fósseis, reforçando uma contradição evidente entre discurso ambiental e prática econômica. Em vez de liderar a transição energética com políticas claras para solar, armazenamento e renováveis, o governo federal direciona esforços políticos, orçamentários e institucionais para a expansão do petróleo e do carvão, incluindo a defesa da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, uma das regiões ambientalmente mais sensíveis do planeta.

A insistência em avançar com projetos de exploração petrolífera nessa área expõe uma escolha política clara: apostar em um modelo energético do século passado, altamente poluente, de alto risco ambiental e cada vez menos alinhado às tendências globais de financiamento e descarbonização. Na prática, o governo Lula trata a energia solar como discurso internacional e o petróleo como prioridade doméstica.

Essa orientação enfraquece a credibilidade do Brasil no cenário internacional, afasta investidores comprometidos com critérios ESG e aprofunda a crise do setor solar, que poderia gerar empregos, renda, inovação e segurança energética de forma sustentável.

O Brasil possui uma das melhores condições do mundo para a geração solar e para o armazenamento de energia. No entanto, sem liderança do governo federal, sem planejamento energético de longo prazo e sem políticas claras para o setor, o País caminha na contramão da transição energética global, perde competitividade internacional e desperdiça oportunidades de geração de empregos e de energia limpa.

O esvaziamento dos eventos, o cancelamento de feiras internacionais e a retração do mercado não são coincidência. São o retrato de um setor abandonado por um governo que fala em sustentabilidade, mas age como se a energia solar não fosse prioridade.

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