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Gigante chinesa Sungrow aposta no Brasil após contratos bilionários de baterias no Chile

Gigante chinesa Sungrow aposta no Brasil após contratos bilionários de baterias no Chile

Mercado brasileiro pode atrair até R$ 50 bilhões em investimentos em baterias, com primeiro leilão previsto para 2026. Sungrow aposta no PowerTitan 3.0 para projetos utility-scale.

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O setor elétrico brasileiro pode atravessar uma nova fronteira tecnológica a partir de 2026 com o início de investimentos em sistemas de baterias para armazenamento de energia. Especialistas estimam que os aportes nesse segmento possam alcançar ao menos R$ 50 bilhões nos próximos anos, segundo estimativa divulgada pelo jornal Valor, impulsionados pela necessidade de equilibrar a crescente participação de fontes renováveis no sistema.

O movimento deve ganhar força com o primeiro leilão dedicado a sistemas de armazenamento, inicialmente previsto para abril, embora agentes do setor considerem possível um adiamento para junho ou julho. A expectativa em torno da disputa é elevada, já que ele pode inaugurar um novo mercado dentro da matriz elétrica brasileira.

Os sistemas de armazenamento são considerados uma das principais respostas para um problema que se tornou recorrente no país: o excesso de geração durante o dia, principalmente de usinas solares, e a queda abrupta dessa oferta à noite, justamente quando ocorre o pico de consumo de energia.

Nesse cenário, as baterias permitem armazenar a eletricidade produzida ao longo do dia e liberá-la nos horários de maior demanda, aumentando a flexibilidade e a estabilidade do sistema elétrico.

Entre as empresas interessadas no avanço desse mercado na América Latina está a Sungrow, fabricante chinesa e líder mundial em inversores fotovoltaicos e sistemas de armazenamento. A companhia já possui experiência em projetos de grande escala no Chile, onde acumula mais de 10,5 GWh em contratos de armazenamento.

Um dos principais exemplos é o Projeto Aurora, na região de Tarapacá. Desenvolvido pela Zelestra, o complexo híbrido combina geração solar e armazenamento em larga escala. A usina fotovoltaica terá 220 MWdc de capacidade instalada, equipada com inversores modulares da Sungrow, além de um sistema de armazenamento próximo de 1 GWh com refrigeração líquida.

O projeto foi estruturado para fornecer energia por meio de contrato de longo prazo (PPA) com a empresa chilena Abastible. A expectativa é que o complexo produza cerca de 600 GWh por ano de energia renovável, sendo considerado um dos maiores empreendimentos híbridos de solar e baterias em construção na América Latina.

Outro projeto relevante é o BESS Coya, associado à planta solar Coya, na região de Antofagasta, pertencente à Engie. A usina tem cerca de 181 MWac de capacidade solar e conta com um sistema de armazenamento de 638 MWh fornecido pela Sungrow, também com tecnologia de refrigeração líquida.

A função do sistema é armazenar a energia produzida durante o dia e disponibilizá-la à noite, ampliando a confiabilidade do fornecimento e a flexibilidade operacional da planta.

No segmento de armazenamento independente, a empresa também participa do BESS del Desierto, projeto da Atlas Renewable Energy instalado no deserto do Atacama. O empreendimento possui 200 MW de potência e 880 MWh de capacidade, sendo apontado como o maior sistema standalone da América Latina com tecnologia da companhia.

Projetos desse tipo foram concebidos para absorver excedentes de geração solar, aliviar restrições de transmissão e prestar serviços ao sistema elétrico, como controle de frequência e tensão.

Brasil entra no radar

A experiência chilena deve servir de referência para a expansão da tecnologia no Brasil. Segundo Mauro Fernando Basquera, diretor técnico de BESS e energia solar da Sungrow para a América Latina, o primeiro leilão de baterias no país pode marcar um ponto de inflexão para o setor. Ainda assim, o executivo avalia que questões regulatórias precisam ser esclarecidas antes da realização do certame.

Entre os temas em discussão estão o modelo de contratação, a duração dos contratos e as regras de conexão das baterias ao sistema elétrico. “São pontos que precisam ser resolvidos para que não haja risco de judicialização ou atraso do leilão por falta de clareza regulatória”, afirma Basquera em entrevista para o portal BNAmericas.

Também permanecem dúvidas sobre a localização dos projetos, a capacidade de escoamento da rede e a cobrança de tarifas pelo uso do sistema de transmissão para instalações de armazenamento.

A Sungrow pretende participar do mercado brasileiro de forma indireta, atuando como fornecedora de tecnologia para os projetos vencedores do leilão. “Nosso interesse é fornecer o hardware para os geradores e empresas que vão propor projetos no certame”, explica o executivo.

Crescimento além dos leilões

Independentemente do resultado do leilão, a expectativa da empresa é de expansão gradual do armazenamento no país impulsionada por diferentes aplicações. No segmento residencial e comercial, a adoção de baterias pode ganhar tração caso avancem discussões sobre tarifas horárias de energia, que valorizam o consumo fora dos períodos de pico.

No setor industrial, os sistemas podem ser utilizados para deslocar o consumo para horários mais baratos, reduzindo custos operacionais. Outra aplicação relevante é a integração de baterias a projetos renováveis para mitigar o curtailment, quando usinas precisam reduzir sua produção por limitações do sistema.

“Um investidor que possui uma planta fotovoltaica e sofre com curtailment pode instalar uma bateria para armazenar essa energia e entregá-la quando o sistema mais precisa”, ressalta Basquera.

Na avaliação do executivo, o mercado brasileiro deve crescer inicialmente em soluções instaladas “atrás do medidor” (behind the meter), sobretudo entre consumidores industriais e comerciais. “O segmento behind the meter já é uma realidade. Temos pedidos de compra e aplicações em andamento”, diz.

Baterias gigantes e eficiência de 92%

De olho nesse mercado brasileiro com potencial expansão, a Sungrow também lançoe novas soluções para projetos de grande porte no país. Entre elas está o PowerTitan 3.0, sistema de armazenamento projetado para aplicações utility-scale.

A solução é instalada em um contêiner de 20 pés e integra inversor de 1,78 MW a baterias com capacidade de 7,14 MWh. Em configuração de quatro horas, um único bloco pode fornecer 7,2 MW e 28,5 MWh, permitindo escalabilidade para grandes usinas solares, parques híbridos e projetos de estabilização de rede.

Segundo a Sungrow, o sistema utiliza células empilhadas e alcança eficiência de ida e volta de 92%, indicador considerado elevado para aplicações de armazenamento em larga escala. Com arquitetura em bloco AC e sistema pré-instalado, o PowerTitan 3.0 pode ser configurado e testado em até uma hora, reduzindo o tempo de comissionamento e os custos de implantação.

Para especialistas do setor, tecnologias como essa devem ganhar espaço à medida que o Brasil amplia sua geração renovável e busca soluções para equilibrar oferta, demanda e estabilidade no sistema elétrico.

Nesse cenário, empresas como a Sungrow se posicionam para desempenhar papel central na nova fase da transição energética, levando ao mercado soluções capazes de transformar o armazenamento em um dos pilares da próxima geração do sistema elétrico brasileiro.

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