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Fontes renováveis se aproximam de 50% da matriz energética, mas Brasil avança abaixo do seu potencial

Fontes renováveis se aproximam de 50% da matriz energética, mas Brasil avança abaixo do seu potencial

Setor cobra previsibilidade regulatória para destravar o crescimento das energias renováveis.

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A participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira avançou nos últimos anos, mas de forma lenta e insuficiente diante do potencial do país. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2024, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), as renováveis passaram de 45% da Oferta Interna de Energia (OIE) em 2021 para 49,1% em 2023.

Na prática, o Brasil levou quatro anos para avançar cerca de apenas 4 pontos percentuais, um desempenho considerado fraco e incompatível com a abundância de sol, vento e biomassa disponível, além da maturidade técnica e industrial já instalada no país. O resultado expõe um descompasso entre o discurso oficial de liderança climática e a realidade da execução, marcado por entraves regulatórios, insegurança jurídica e decisões governamentais que travaram o ritmo de novos investimentos.

Para o setor, trata-se de uma oportunidade desperdiçada. Com planejamento, previsibilidade e políticas públicas consistentes, o Brasil poderia ter ultrapassado com folga a marca de 50% da matriz energética renovável, ampliando sua competitividade, atraindo capital e consolidando-se como líder global na transição energética. Em vez disso, o país segue avançando em marcha lenta, enquanto concorrentes regionais e globais aceleram suas estratégias e ocupam espaço no cenário internacional de energia limpa.

O avanço confirma a relevância das fontes limpas no sistema energético nacional, mas também evidencia a lentidão do crescimento diante das condições naturais privilegiadas do Brasil. Mesmo próximo de atingir metade da matriz energética, o país segue atrás de nações da América Latina que avançaram de forma mais acelerada na transição energética.

Casos como Paraguai, Uruguai e Chile ilustram esse contraste. O Paraguai mantém praticamente 100% de sua geração elétrica baseada em fontes renováveis, principalmente hidrelétricas. O Uruguai consolidou um dos processos de transição energética mais bem-sucedidos da região, com mais de 90% da eletricidade proveniente de fontes limpas, apoiado fortemente na energia eólica. Já o Chile atingiu um recorde histórico de 75% de geração elétrica renovável, segundo dados da associação Generadoras de Chile, reforçando sua liderança regional em energias limpas.

No Brasil, o crescimento das renováveis na última década foi impulsionado sobretudo pela expansão das fontes eólica, solar e biomassa, enquanto a geração hidráulica se manteve estável, beneficiada por um regime hídrico favorável em 2023. Esses fatores consolidam a imagem do país como referência global em energia limpa, mas também expõem a distância entre o discurso e a velocidade real da transição energética.

Apesar do reconhecimento internacional, especialistas do setor avaliam que o Brasil poderia estar em um patamar muito mais elevado caso não enfrentasse entraves regulatórios, burocráticos e decisões governamentais que frearam novos investimentos nos últimos anos. Atrasos em leilões, insegurança jurídica, limitações na expansão da transmissão e mudanças frequentes nas regras do setor reduziram o ritmo de crescimento, especialmente em projetos eólicos, solares e híbridos.

O país reúne condições únicas: abundância de sol e vento, cadeia produtiva estruturada, tecnologia disponível e capital interessado. No entanto, a falta de previsibilidade e de uma estratégia clara de longo prazo acabou represando projetos, postergando aportes bilionários e limitando a geração de empregos, renda e desenvolvimento regional. Para o setor, o Brasil avança na transição energética, mas o faz “com o freio puxado”.

Os 10 países líderes em uso de energia renovável

  1. Islândia – Quase 100% da eletricidade vem de fontes renováveis, principalmente hidrelétrica e geotérmica.
  2. Noruega – Mais de 95% da geração elétrica é hidrelétrica, com forte integração ao mercado europeu.
  3. Paraguai – Praticamente 100% da eletricidade é renovável, baseada em grandes hidrelétricas como Itaipu.
  4. Costa Rica – Mantém há anos mais de 98% da geração elétrica renovável, combinando hidro, eólica e geotérmica.
  5. Uruguai – Mais de 90% da eletricidade é renovável, com forte participação da energia eólica.
  6. Brasil – Cerca de 50% da matriz energética total é composta por fontes renováveis.
  7. Suécia – Mais de 60% da eletricidade é renovável, com destaque para hidro, biomassa e eólica.
  8. Dinamarca – Referência mundial em energia eólica, que responde por grande parte da geração elétrica.
  9. Nova Zelândia – Aproximadamente 80% da eletricidade é renovável, baseada em hidrelétrica e geotérmica.
  10. Áustria – Mais de 75% da geração elétrica vem de fontes renováveis, principalmente hidrelétricas.
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