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Expansão dos carros elétricos pressiona infraestrutura de recarga e abre espaço para novas empresas no Brasil
Com BYD e plug-ins em alta,, recarga de carros elétricos acelera no Brasil, mas expansão ainda fica atrás da demanda.
O avanço das vendas de veículos eletrificados no Brasil vem acelerando a demanda por infraestrutura de recarga pública e semipública, num movimento que tem atraído novas empresas para o setor e ampliado a disputa por espaço em ruas, rodovias, centros comerciais, condomínios e corredores logísticos. O crescimento da frota, puxado principalmente pelos modelos plug-in e pela liderança comercial da BYD em diferentes momentos do mercado recente, começa a impor um novo desafio ao setor: a oferta de carregadores avança, mas ainda em ritmo insuficiente para acompanhar a expansão da demanda em várias regiões do país.
Os números mais recentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em parceria com a Tupi Mobilidade, indicam que o Brasil chegou a 21.061 pontos públicos e semipúblicos de recarga até fevereiro de 2026. Em um ano, a recarga rápida em corrente contínua (DC), mais adequada para viagens e uso intensivo, cresceu 167% e passou a representar 31% da rede nacional, sinal de amadurecimento da infraestrutura e da maior procura por abastecimento mais ágil fora de casa.
A expansão é expressiva, mas não elimina a percepção de aperto no mercado. Em fevereiro de 2025, o país tinha 14.827 pontos de recarga públicos e semipúblicos, número que já representava avanço relevante sobre os 12.137 pontos registrados em novembro de 2024. Depois disso, a rede continuou crescendo, saindo de cerca de 16.880 pontos em agosto de 2025 para os mais de 21 mil pontos contabilizados em fevereiro deste ano. A trajetória mostra um setor em rápida expansão, mas também sugere que a infraestrutura segue em corrida para alcançar uma frota que cresce em ritmo forte.
Com o aumento dos veículos eletrificados, o país tem começado, de fato, a montar a infraestrutura necessária. Há também a parte econômica envolvida, a infraestrutura de recarga já movimenta entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano.
Do lado da demanda, o mercado brasileiro de eletrificados mantém ritmo elevado. Em 2024, o país registrou 177.358 emplacamentos de veículos leves eletrificados, recorde para o setor. Para 2025, a ABVE projetava pelo menos 200 mil unidades, podendo chegar a 215 mil em um cenário mais provável. Já ao longo de 2024, a entidade destacou que o volume acumulado de vendas havia superado o total de 2023 ainda no meio do ano, o que ajuda a explicar por que a pressão sobre os pontos de recarga passou a ser percebida com mais intensidade por usuários e operadores.
Nesse ambiente, marcas chinesas e montadoras com portfólio mais agressivo em eletrificação ganharam protagonismo, com a BYD aparecendo na liderança de rankings mensais em momentos recentes do mercado brasileiro de eletrificados. Esse avanço comercial ajudou a acelerar a popularização do carro plug-in e, por consequência, elevou a necessidade de recarga em trajetos urbanos e rodoviários. A expansão da frota para além dos grandes centros também pressiona a criação de corredores elétricos mais densos e mais confiáveis.
A consequência direta é a abertura de espaço para novos entrantes. O setor de recarga deixou de ser uma atividade restrita a utilities, distribuidoras de energia e poucos operadores especializados e passou a atrair fabricantes de equipamentos, integradores, redes de estacionamento, shoppings, postos de combustíveis, administradoras de condomínios e empresas focadas exclusivamente em eletropostos. Esse movimento acompanha a mudança do perfil da rede: além do aumento do número total de carregadores, há crescimento mais forte da recarga rápida, hoje mais estratégica para estradas, frotas, serviços de conveniência e operações comerciais de maior giro.
Na prática, o mercado começa a viver uma transição. Durante a fase inicial da eletromobilidade, grande parte dos usuários dependia principalmente da recarga residencial. Agora, com o aumento da circulação de veículos elétricos e híbridos plug-in, a infraestrutura pública passa a ter papel mais decisivo para sustentar a expansão do setor. A própria ABVE vem apontando a evolução dos corredores elétricos e dos pontos públicos e semipúblicos como um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento dos veículos plug-in no país.
Mesmo com a melhora dos indicadores, agentes do mercado veem um descompasso entre a velocidade de venda dos veículos e o ritmo de instalação dos carregadores em áreas de maior demanda. Essa leitura é uma inferência baseada na combinação de dois movimentos: de um lado, a forte alta dos emplacamentos e da frota eletrificada; de outro, uma infraestrutura que, embora em expansão acelerada, ainda busca cobertura mais homogênea entre capitais, interior e rodovias. Em outras palavras, a oferta cresce, mas a sensação de escassez persiste em parte do país, sobretudo onde a adoção dos elétricos avançou mais rapidamente.
Para os próximos meses, a tendência é de continuidade da expansão, tanto da frota quanto da rede de recarga. O que está em jogo agora não é apenas instalar mais pontos, mas ampliar a participação dos carregadores rápidos, melhorar a distribuição geográfica e transformar a recarga pública em um serviço mais previsível para quem circula fora dos grandes centros. Com o carro elétrico ganhando espaço no mercado brasileiro, a infraestrutura de abastecimento deixa de ser tema lateral e passa a ocupar posição central na próxima etapa da eletromobilidade.
São Paulo atualiza regras para instalação de recarga em edifícios
Com o avanço dos veículos elétricos e híbridos no país, São Paulo atualizou as orientações para a instalação de pontos de recarga em edificações. As novas regras, publicadas em 17 de março de 2026 no Diário Oficial do Estado, incluem os Sistemas de Abastecimento de Veículos Elétricos (SAVE) na Instrução Técnica nº 41, usada como referência para segurança contra incêndios em instalações elétricas de baixa tensão.
Segundo o governo paulista, a revisão foi precedida por consulta pública e as contribuições foram analisadas pela Comissão Especial de Estudos do Corpo de Bombeiros. A corporação seguirá responsável pela fiscalização das instalações e pela verificação do cumprimento das exigências técnicas.
Entre as principais medidas estão a exigência de instalação dos carregadores conforme normas técnicas já vigentes, com aterramento e alimentação elétrica dedicada, além da previsão de botões de desligamento nos pontos de recarga, interligação com a central de alarme, sinalização de emergência e responsabilidade técnica assinada por profissional habilitado.
A atualização ocorre em um momento de expansão da eletromobilidade e reforça a tentativa de dar mais segurança e previsibilidade ao avanço da infraestrutura de recarga em condomínios, prédios comerciais e outros espaços urbanos.

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