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Europa acelera projetos de energia eólica no Mar do Norte para reduzir dependência da Rússia

Europa acelera projetos de energia eólica no Mar do Norte para reduzir dependência da Rússia

Países firmam novo acordo para ampliar geração offshore e reforçar a segurança energética do continente.

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Líderes europeus anunciaram, na semana passada (26/1), em Hamburgo, na na Alemanha, um novo compromisso para acelerar o desenvolvimento da energia eólica no Mar do Norte, com o objetivo de garantir o abastecimento energético da Europa e reduzir a dependência do gás natural russo.

A decisão foi formalizada durante a terceira cúpula sobre cooperação energética e segurança do Mar do Norte, realizada pela primeira vez na Alemanha, em meio a um cenário de tensões geopolíticas e preocupações com a segurança das infraestruturas energéticas da região.

Ministros da Energia de Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos e Reino Unido assinaram uma declaração conjunta prevendo a criação do que classificam como o maior polo mundial de energia limpa.

Segundo comunicado do Ministério da Economia e Energia da Alemanha, a iniciativa busca acelerar a descarbonização do sistema energético europeu, ao mesmo tempo em que fortalece a autonomia do bloco frente a fornecedores externos de combustíveis fósseis.

Os países reafirmaram metas estabelecidas em encontros anteriores. Na cúpula de 2023, os governos haviam se comprometido a desenvolver até 300 gigawatts (GW) de capacidade eólica offshore no Mar do Norte até 2050, com uma meta intermediária de 120 GW até 2030.

Especialistas do setor avaliam, no entanto, que o ritmo atual de implantação ainda está abaixo do necessário para o cumprimento desses objetivos. O novo entendimento prevê que Alemanha, Noruega, França, Dinamarca e Reino Unido lancem uma frota ampliada de projetos conjuntos de energia eólica offshore, com capacidade total estimada em 100 GW.

De acordo com o Ministério britânico de Energia, esse volume seria suficiente para atender à demanda elétrica de cerca de 100 milhões de residências, embora o cronograma detalhado de implantação ainda não tenha sido divulgado.

Segurança do abastecimento é prioridade após crise do gás

A ministra alemã da Economia e Energia, Katherina Reiche, afirmou que o acordo tem como foco o reforço da resiliência energética e da segurança do abastecimento europeu.

Grande parte da Europa, especialmente a Alemanha, manteve forte dependência do gás russo por anos, situação que se encerrou após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. A interrupção do fornecimento contribuiu para uma crise energética que elevou a inflação e afetou setores industriais intensivos em consumo de energia.

Europa reforça posição contra uso político da energia

Durante o encontro, líderes europeus destacaram que não pretendem retomar o modelo anterior de dependência. Enviamos uma mensagem clara à Rússia: não aceitaremos que a energia seja usada como instrumento de pressão política”, afirmou o comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen.

Embora o futuro da Groenlândia não estivesse oficialmente na pauta da cúpula, o tema foi citado em meio às discussões sobre segurança regional, diante do aumento das tensões envolvendo infraestruturas energéticas no Mar do Norte e no Mar Báltico.

A reunião contou com a participação da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, além de representantes da Islândia, da Comissão Europeia e da Otan. Segundo Jørgensen, “a questão da Groenlândia está presente nas preocupações estratégicas da Europa”.

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