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Entre o petróleo e a negação: por que Trump ataca as renováveis e ignora a liderança da China em energia eólica
Com maior parque eólico do mundo, China desmonta discurso do presidente dos EUA e expõe contradições da política energética americana.
As críticas contínuas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às energias renováveis, em especial à energia eólica, precisam ser contextualizada não apenas como divergência técnica, mas como parte de uma estratégia política e econômica voltada para proteger e favorecer os setores do petróleo e do carvão.
Desde sua recente ascensão ao poder, Trump tem promovido de forma sistemática políticas destinadas a fortalecer a indústria de combustíveis fósseis, seja por meio de derrogações de regulações ambientais ou da adoção de medidas explícitas para impulsionar o carvão e o petróleo, enquanto restringe o crescimento de renováveis.
Essa defesa ferrenha dos combustíveis fósseis não ocorre num vácuo: grande parte dos principais financiadores de sua campanha e políticos aliados pertencem exatamente aos setores de petróleo e carvão, que tradicionalmente investem somas bilionárias em lobbies e contribuições eleitorais nos Estados Unidos. Essa realidade eleitoral e econômica molda uma agenda energética que favorece investimentos fósseis em detrimento de estratégias de longo prazo baseadas em sustentabilidade e combate às mudanças climáticas, algo que a maior parte dos eleitores americanos apoia, inclusive em pesquisas recentes.
Também se observa que parte significativa das ações e medidas recentes da administração Trump envolve fortalecer os laços com grandes petroleiras e expandir a produção de petróleo fora das fronteiras americanas, como seu esforço para atrair investimentos de US$ 100 bilhões das grandes empresas petrolíferas na Venezuela, visando revitalizar um setor outrora dominado por capitais estadunidenses e agora sob amplo controle estatal venezuelano.
Trump chegou a afirmar que empresas de energia deveriam negociar petróleo “com os EUA e não com a Venezuela”, lançando um discurso nacionalista e protecionista que serve igualmente para beneficiar grandes players do setor fóssil, mas que não aborda os impactos climáticos e ambientais globais desse tipo de energia.
Essa postura evidencia um fato político claro: a oposição às energias renováveis não se baseia em evidências científicas ou nos interesses de longo prazo da população global, mas sim em uma agenda que prioriza retornos econômicos de curto prazo para elites vinculadas à indústria de combustíveis fósseis, que historicamente têm sido responsáveis por vastos impactos ambientais, emissões de carbono e dependência energética insustentável.
China: liderança global em energia eólica
Em meio a declarações polêmicas feitas ontem (21/1), em Davos, por Trump, que afirmou que “a China vende turbinas eólicas a idiotas” e criticou duramente a energia eólica, a realidade factual do setor mostra um panorama totalmente diferente. Ao contrário das críticas infundadas, a energia eólica representa uma das maiores revoluções tecnológicas e ambientais do nosso tempo, com benefícios climáticos, geração de empregos, avanço tecnológico e preservação da biodiversidade.
A China não só é o país com maior capacidade instalada de energia eólica no mundo, com centenas de gigawatts operacionais, mas também lidera a produção e exportação de turbinas eólicas e componentes críticos para a indústria global. Segundo dados internacionais, a capacidade total instalada de energia eólica na China ultrapassa 441 GW, quase três vezes mais do que o segundo colocado no ranking mundial de países em energia eólica instalada.
Isso desmonta qualquer alegação de Trump que “não há turbinas eólicas na China”, o país é referência global no setor. Ao contrário das afirmações de que parques eólicos “matam pássaros e destroem paisagens”, a energia eólica é uma fonte de energia limpa que:
- Não emite poluentes tóxicos ou gases de efeito estufa;
- Não produz resíduos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente;
- Tem impacto muito menor sobre a vida selvagem do que a exploração de petróleo, a qual já causou a morte de milhões de peixes e outros seres aquáticos ao longo de décadas.
Além disso, estudos ambientais e organizações de conservação indicam que os riscos para aves e morcegos podem ser significativamente reduzidos com planejamento e tecnologias de mitigação, ao passo que a poluição e as marés negras ligadas aos combustíveis fósseis continuam a causar destruição em larga escala.
Ranking Atualizado: Principais usinas eólicas do mundo
1. Inner Mongolia / Gansu Wind Power Base (China): Um dos maiores complexos eólicos em operação e construção no mundo, com planos de capacidade que podem ultrapassar 20 GW quando concluídos, consolidando a liderança chinesa no setor.
2. Hornsea 3 (Reino Unido): Projeto offshore com cerca de 2,9 GW de capacidade, o maior parque eólico offshore em desenvolvimento global.
3. East Anglia One (Reino Unido): Instalado offshore com cerca de 714 MW, um dos maiores parques eólicos em operação no mundo.
4. Roscoe Wind Farm (Estados Unidos): Um dos maiores parques eólicos terrestres globalmente, com cerca de 781 MW de capacidade instalada.
5. Fosen Vind (Noruega): Conjunto de parques que totaliza cerca de 1 GW de capacidade, um dos maiores da Europa.
Estes projetos destacam a diversificação e expansão global da energia eólica, em terra e no mar, com capacidades que continuam crescendo ano após ano.
Principais fornecedores globais de turbinas e estruturas eólicas (2025)
O setor de energia eólica também é um motor de avanços tecnológicos e industriais, com fabricantes globais responsáveis pela maior parte da capacidade instalada em todo o planeta.
Ranking de fabricantes (capacidade acumulada instalada):
(dados aproximados com base em análises especializadas do setor)
- Vestas Wind Systems (Dinamarca): 189 GW
- Siemens Gamesa Renewable Energy (Espanha): 146 GW
- Goldwind (China): 138 GW
- GE Vernova (França / EUA): 120 GW
- ENERCON GmbH (Alemanha): 60 GW
- Nordex SE (Alemanha): 57 GW
- Mingyang Smart Energy (China): 40 GW
- Envision Energy (China): 30 GW
- Sany Renewable Energy (China): 29 GW
- Suzlon Group (Índia): 21 GW
Isso demonstra que fabricantes chineses ocupam posições de destaque entre os maiores fornecedores globais, refletindo a capacidade tecnológica e de escala do país no setor.
As declarações recentes do presidente dos EUA refletem uma visão política, não baseada em fatos técnicos ou dados setoriais. A realidade global da energia eólica é clara: trata-se de uma tecnologia essencial para a transição energética, com impactos ambientais significativamente menores do que combustíveis fósseis e com forte presença tecnológica e industrial em todo o mundo.
Enquanto países como a China expandem rapidamente sua capacidade instalada e exportam tecnologia de ponta, centenas de projetos em desenvolvimento demonstram que o futuro energético mundial é limpo, competitivo e sustentável, alicerçado na inovação, e não em retórica sem fundamento.

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