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Engie e Cymi levam quase tudo em leilão da Aneel e concentram mais de 90% dos aportes
Disputa acirrada derruba receitas e garante maior deságio desde 2020; projetos somam R$ 3,3 bilhões e 8,5 mil empregos.
Em um leilão marcado por forte competição e descontos agressivos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou nesta sexta-feira, na sede da B3, em São Paulo, o primeiro certame de transmissão de energia de 2026. O resultado consolidou o domínio de dois grupos: Engie Brasil Energia e Cymi Construções e Participações, que juntos abocanharam mais de 90% dos investimentos previstos.
Ao todo, foram negociados cinco lotes, com previsão de R$ 3,3 bilhões em aportes e a criação de cerca de 8,5 mil empregos diretos e indiretos.
Deságio recorde pressiona retorno e beneficia consumidor
O leilão foi vencido pelas empresas que ofertaram os maiores descontos sobre a Receita Anual Permitida (RAP), indicador que define a remuneração máxima dos empreendedores ao longo dos contratos.
A disputa levou o deságio médio a 50,69%, o maior patamar registrado desde 2020, evidenciando o apetite das companhias por ativos de transmissão, considerados de menor risco no setor elétrico.
Com isso, a RAP total contratada ficou em R$ 286,2 milhões. Segundo estimativas do governo, a economia para os consumidores pode chegar a R$ 7,6 bilhões ao longo dos contratos, que têm duração entre 25 e 30 anos.
Engie lidera e Cymi consolida avanço no setor
A liderança do leilão ficou com a Engie, que assegurou projetos somando cerca de R$ 1,5 bilhão em investimentos. Na sequência aparece a Cymi, com volume semelhante de aportes, reforçando sua presença no segmento de transmissão.
O terceiro vencedor foi o Consórcio BR2 ET Transmissora, que ficou com um dos lotes, totalizando R$ 240 milhões em investimentos. O grupo reúne empresas como Raff Geração e Comércio de Energia Elétrica, Brasiluz, Enind Energia e Brenergia Participações, em uma estrutura societária equilibrada entre os participantes.
Obras ampliam rede em 11 estados
Os empreendimentos contratados incluem a construção de 798 quilômetros de novas linhas de transmissão, além da instalação de 2.150 MVA em capacidade de transformação, com subestações e compensadores síncronos.
Os projetos estão distribuídos por 11 estados, entre eles Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, e devem ampliar a capacidade de escoamento de energia no Sistema Interligado Nacional.
Relicitação inclui ativo estratégico no Rio
O certame também contemplou a relicitação de uma concessão existente no estado do Rio de Janeiro, envolvendo a Subestação Nilo Peçanha e cerca de 115 quilômetros de linhas de transmissão responsáveis pelo abastecimento da região Sul Fluminense.
A inclusão do ativo indica a estratégia do governo de reestruturar concessões consideradas críticas, garantindo continuidade operacional e novos investimentos em infraestrutura.

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