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Energia limpa ultrapassa fósseis e muda o mapa elétrico da Europa em 2025
Relatório da Ember mostra que solar e eólica lideram geração na UE pela primeira vez e reforçam pressão para reduzir dependência do gás importado.
A transição energética europeia alcançou um marco histórico em 2025. Pela primeira vez, a soma da geração de energia solar e eólica superou a produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis na União Europeia, consolidando a virada estrutural do sistema elétrico do bloco. O dado faz parte do novo Relatório Europeu sobre Eletricidade, divulgado na quinta-feira (21/1), pelo think tank Ember.
Segundo o estudo, as fontes solar e eólica responderam juntas por 30% da eletricidade produzida na UE em 2025, ultrapassando os fósseis, que ficaram com 29%. O avanço foi impulsionado principalmente pelo forte crescimento da energia solar, que registrou expansão de 20,2% no ano e alcançou um recorde de 13% da matriz elétrica europeia, superando carvão e hidrelétrica.
“Este é um momento decisivo que mostra a velocidade com que a União Europeia está migrando para um sistema baseado em eólica e solar”, afirmou Beatrice Petrovich, autora do relatório. “Em um cenário global marcado por instabilidade e volatilidade dos combustíveis fósseis, a transição para a energia limpa torna-se não apenas ambientalmente necessária, mas estrategicamente indispensável.”
A expansão da solar foi generalizada: todos os países-membros ampliaram sua produção em relação a 2024. Em mercados como Espanha, Hungria, Chipre, Grécia e Países Baixos, a fonte já responde por mais de um quinto de toda a eletricidade consumida. Apesar de condições climáticas atípicas terem reduzido a geração hidrelétrica em 12% e a eólica em 2%, as renováveis alcançaram 48% da matriz elétrica europeia em 2025.]
A eólica manteve-se como a segunda maior fonte individual de geração, com 17% de participação, ultrapassando o gás natural. Nos últimos cinco anos, o crescimento das duas fontes foi expressivo: passaram de 20% da matriz em 2020 para 30% em 2025. No mesmo período, a participação dos fósseis recuou de 37% para 29%.
Apesar da tendência de longo prazo de queda, a geração a gás aumentou 8% em 2025, influenciada pela menor produção hidrelétrica. Esse movimento elevou a conta de importação de gás da UE para 32 bilhões de euros, 16% acima do registrado em 2024, marcando o primeiro aumento desde a crise energética de 2022. Itália e Alemanha foram os países mais impactados, e os picos de uso do gás elevaram em 11% os preços médios da eletricidade nas horas de maior demanda.
Para a Ember, o resultado reforça a urgência de reduzir a dependência do gás importado. “O gás deixa a União Europeia vulnerável à pressão geopolítica e mantém os preços elevados”, destacou Petrovich. Segundo ela, os primeiros sinais de uso mais intenso de sistemas de armazenamento em baterias já começam a ajudar a transferir a geração renovável para os horários de pico, reduzindo a necessidade de termelétricas e trazendo maior estabilidade ao mercado.
O carvão segue em queda acelerada. Em 2025, sua participação caiu para 9,2%, o menor nível histórico, frente a cerca de 25% há uma década. Em 19 países, a geração a carvão já é inexistente ou inferior a 5%. Mesmo nos maiores produtores, como Alemanha e Polônia, o combustível atingiu patamares mínimos recordes.
O relatório oferece a primeira radiografia completa do sistema elétrico europeu em 2025 e confirma uma mudança estrutural em curso. Para a Ember, o avanço das renováveis, combinado à expansão do armazenamento e à redução do uso de fósseis, posiciona a União Europeia em uma trajetória mais segura, competitiva e alinhada aos objetivos climáticos, com impactos diretos na segurança energética e nos preços ao consumidor.
Quem lidera a energia limpa na Europa? Veja os países que mais usam eletricidade verde
A liderança no uso de eletricidade renovável na União Europeia está concentrada principalmente nos países do norte e em alguns mercados do sul que aceleraram seus investimentos em fontes limpas nos últimos anos. Segundo dados do Eurostat, a Áustria ocupa o primeiro lugar no ranking europeu, com quase 90% de sua eletricidade proveniente de fontes renováveis, resultado direto do peso histórico de suas 16 usinas hidrelétricas no sistema elétrico nacional.
Logo atrás aparece a Suécia, com 88% da geração baseada em fontes verdes, sustentada sobretudo pela combinação de energia hídrica e eólica. Em terceiro lugar está a Dinamarca, que alcança cerca de 80% de eletricidade renovável graças à ampla rede de parques eólicos em terra e no mar, referência mundial na exploração do vento como fonte energética.
Outros países também já superaram a marca de 50% de eletricidade limpa em suas matrizes. Portugal se destaca com 66%, seguido pela Espanha, com 60%, e pela Croácia, com 58%, reflexo da forte expansão de projetos solares, eólicos e hidrelétricos ao longo da última década. Em contraste, grandes economias como Itália e França aparecem apenas na metade inferior do ranking europeu, ocupando respectivamente a 18ª e a 21ª posições, com participação bem mais modesta de fontes renováveis em sua geração elétrica.
Na outra ponta da tabela estão os países com menor uso de eletricidade verde. Malta registra apenas 11% de participação de fontes renováveis, enquanto Chéquia aparece com 18%, Luxemburgo com cerca de 20,5% e Hungria e Chipre em torno de 24%. Os números revelam que, apesar do avanço expressivo da transição energética em várias regiões da Europa, ainda há uma forte assimetria entre os países do bloco na velocidade de adoção de fontes limpas e na transformação de suas matrizes elétricas.

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