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"Eletromobilidade reduz custos em até 80% e acelera transição energética no transporte brasileiro", diz 99, em evento do LIDE

"Eletromobilidade reduz custos em até 80% e acelera transição energética no transporte brasileiro", diz 99, em evento do LIDE

Seminário do LIDE reúne setor público e líderes empresariais e aponta ganhos econômicos, ambientais e estruturais com veículos elétricos no Brasil.

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A eletrificação dos transportes deixou de ser uma aposta de longo prazo e passou a se consolidar como estratégia econômica e ambiental no Brasil. Durante o Seminário LIDE Energia/Eletromobilidade, realizado nesta terça-feira (24/2), em São Paulo/SP, empresários e autoridades públicas defenderam que a adoção de veículos elétricos pode reduzir drasticamente custos operacionais, melhorar a qualidade de vida urbana e impulsionar uma nova cadeia produtiva no país.

Promovido pelo LIDE com curadoria de Jean Paul Prates, o evento reuniu representantes do poder público, da indústria automotiva, de empresas de tecnologia e do setor energético para discutir os avanços, os entraves e as oportunidades da transição energética no transporte brasileiro.

Um dos destaques do encontro foi a apresentação de Thiago Hipólito, diretor de Inovação da 99. Segundo ele, motoristas que utilizam veículos elétricos podem reduzir em até 80% seus custos operacionais, especialmente com combustível e manutenção.

A empresa reúne mais de 2 milhões de motoristas em sua plataforma. De acordo com Hipólito, um condutor parceiro roda, em média, cerca de 6 mil quilômetros por mês, um volume que torna a economia proporcionada pelos veículos elétricos ainda mais significativa. “Para quem depende do carro como ferramenta de trabalho, a conta fecha rapidamente”, afirmou.

No campo das políticas públicas, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reforçou o compromisso da capital paulista com a descarbonização da frota. “Não quero mais um caminhão a diesel até o final de 2027”, disse. Ele lembrou que, desde 2022, a prefeitura deixou de incorporar ônibus movidos a diesel e vem substituindo cerca de mil veículos por ano.

Segundo Nunes, 64% das emissões de dióxido de carbono na cidade têm origem no transporte. Cada ônibus a diesel consome cerca de 35 mil litros de combustível por ano, enquanto um elétrico deixa de emitir aproximadamente 87 toneladas de CO2 anualmente, o equivalente ao plantio de 6.400 árvores. Apesar do custo inicial mais elevado, o prefeito afirmou que a economia operacional e o acesso ao mercado livre de energia, com redução de até 25% nos custos, tornam o investimento viável.

A mudança estrutural do setor também foi destacada por Iêda Maria, diretora comercial da Eletra. Para ela, a eletromobilidade representa um novo paradigma urbano. “Não se trata apenas de trocar motores, mas de melhorar o conforto, reduzir ruídos e transformar a relação das pessoas com a cidade”, afirmou. A executiva ressaltou ainda a necessidade de qualificação profissional para atender às novas demandas nas garagens e centros de manutenção.

O seminário também abordou a expansão da eletromobilidade para outros modais. Ricardo Guggisberg, presidente do Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável, citou exemplos como balsas híbridas e o uso de drones no setor aéreo. “A eletromobilidade é o futuro que chega rápido”, afirmou.

Já Daniel Caramori, da General Motors do Brasil, destacou que o Brasil possui uma vantagem estratégica: cerca de 90% da matriz elétrica nacional é composta por fontes limpas. Para ele, o país está preparado para receber veículos elétricos em larga escala, desde que haja coordenação entre indústria, governos e setor energético.

Na avaliação de Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD Brasil, a mobilidade elétrica também abre espaço para empreendedorismo e verticalização da cadeia produtiva, inclusive na mineração. Baldy afirmou que a empresa mantém mais de 122 mil engenheiros dedicados ao desenvolvimento tecnológico e alertou que a poluição responde por cerca de 26% dos impactos negativos à saúde, reforçando a urgência de políticas públicas eficazes.

Encerrando os debates, Pedro Schaan, CEO da Zletric, destacou que o avanço da eletromobilidade no Brasil não depende apenas da venda de veículos elétricos, mas da construção de um ecossistema integrado.

“O carro elétrico é apenas a parte visível dessa transformação. A base do sistema está na infraestrutura, na rede de recarga, na oferta de energia e na coordenação entre todos os agentes”, afirmou. Segundo ele, transformar a vantagem energética do país em um sistema funcional é o principal desafio do setor. “Mobilidade elétrica não é sobre carro elétrico. É sobre infraestrutura, dados, tecnologia e sinergia. Só assim teremos um mercado robusto e sustentável”, concluiu.

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