Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência.
Dia Mundial da Energia Limpa: até quando governos vão apostar no passado?
Entre decisões políticas e escolhas energéticas, o futuro já aponta um caminho — mas nem todos querem segui-lo.
O Dia Mundial da Energia Limpa, comemorado no dia 26 de janeiro, não deveria ser apenas uma data comemorativa no calendário ambiental. Ele precisa ser, acima de tudo, um dia de cobrança. Um dia para perguntar, em alto e bom som, por que tantos governos ainda insistem em financiar, subsidiar e proteger uma matriz energética que sabidamente agrava a crise climática, polui cidades, adoece populações e compromete o futuro econômico de seus próprios países.
Em pleno século XXI, com recordes sucessivos de temperatura, eventos climáticos extremos se multiplicando e evidências científicas cada vez mais inequívocas, soa quase surreal que políticas públicas continuem favorecendo combustíveis fósseis. Petróleo, carvão e gás seguem recebendo incentivos bilionários enquanto fontes limpas enfrentam barreiras regulatórias, insegurança jurídica e lentidão burocrática. Não se trata de falta de tecnologia. Trata-se de falta de vontade política.
A transição energética deixou de ser uma escolha ideológica para se tornar uma exigência econômica e civilizatória. Energia solar e eólica hoje são, em muitos mercados, as fontes mais baratas de geração. Criam empregos, reduzem a dependência externa, descentralizam a produção e devolvem protagonismo ao consumidor. Ainda assim, seguem sendo tratadas por alguns governos como ameaça, quando, na verdade, são uma oportunidade histórica de desenvolvimento sustentável.
O contraste é gritante. Enquanto países que apostaram cedo em renováveis colhem ganhos em competitividade e inovação, outros preferem prolongar artificialmente a vida de indústrias fósseis altamente poluentes. É uma aposta perigosa. Além de ambientalmente insustentável, ela condena economias inteiras à obsolescência tecnológica em um mundo que caminha rapidamente para cadeias produtivas descarbonizadas.
No Brasil, apesar de avanços importantes, a contradição também é visível. Temos uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta, sol em abundância, ventos constantes e um mercado de geração distribuída em plena expansão. Ainda assim, convivemos com sinais ambíguos: incentivos a combustíveis fósseis, postergação de decisões estruturantes e resistência à modernização do setor elétrico. É incoerente defender protagonismo climático enquanto se mantém políticas que empurram o país na direção oposta.
O argumento da segurança energética, frequentemente usado para justificar a dependência fóssil, já não se sustenta. Renováveis combinadas com armazenamento, redes inteligentes e gestão de demanda oferecem hoje níveis de confiabilidade cada vez mais elevados. O verdadeiro risco está em continuar preso a modelos centralizados, poluentes e vulneráveis à volatilidade geopolítica e de preços.
Celebrar o Dia Mundial da Energia Limpa exige mais do que discursos bem-intencionados. Exige coragem política para enfrentar interesses estabelecidos, revisar subsídios, acelerar marcos regulatórios e colocar a transição energética no centro das estratégias nacionais de desenvolvimento. Exige, sobretudo, assumir que cada novo investimento em combustíveis fósseis é um investimento contra o futuro.
O planeta já deixou claro o recado. As cidades sentem os efeitos, os sistemas de saúde pagam a conta e as próximas gerações herdarão as consequências das decisões tomadas hoje. Energia limpa não é luxo, nem moda, nem discurso ambientalista. É infraestrutura básica para um século que precisa, urgentemente, aprender a crescer sem destruir.
E fica uma pergunta inevitável neste Dia Mundial da Energia Limpa: se satélites, a estação espacial (ISS) e centros de pesquisa que orbitam a Terra usam energia solar, a tecnologia mais confiável quando a vida depende dela, por que tantos governos ainda insistem em alimentar suas economias com carvão, petróleo e poluição?
O futuro já escolheu sua fonte. Falta apenas que a política pare de escolher o passado.
*Equipe Conecta Energia

 (1140 x 100 px).png)
.png)


 (750 x 100 px) (750 x 80 px).png)









