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Congresso adia projeto de data centers e Brasil deixa de atrair bilhões em investimentos

Congresso adia projeto de data centers e Brasil deixa de atrair bilhões em investimentos

Setor de tecnologia fala em “retrocesso” e déficit digital supera US$ 7,9 bilhões; governo tenta retomar negociação.

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O adiamento da votação do PL 278/2026 - conhecido como Redata - que cria incentivos para a instalação e expansão de data centers no país, acendeu o alerta no setor de tecnologia. Entidades empresariais afirmam que o Congresso falhou ao postergar uma proposta considerada estratégica para reduzir a dependência externa em serviços digitais e atrair investimentos bilionários.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) e a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) afirmaram que o Brasil “perde mais uma oportunidade de avançar na transformação digital”.

Segundo as entidades, o país encerrou 2025 com déficit superior a US$ 7,9 bilhões na balança comercial de serviços de computação e informação, o que significa que importa mais serviços digitais, como armazenamento em nuvem e processamento de dados, do que exporta. Para o setor, a ausência de uma política clara de estímulo amplia essa dependência.

Data centers são as estruturas físicas que armazenam e processam grandes volumes de dados e sustentam serviços como plataformas digitais, sistemas bancários, comércio eletrônico e ferramentas de inteligência artificial. Sem infraestrutura instalada no território nacional, empresas e usuários recorrem a servidores no exterior, elevando custos e reduzindo competitividade.

Na avaliação das associações, a insegurança regulatória e a falta de incentivos afastam investidores globais interessados em instalar operações no país. O texto divulgado classifica o adiamento como “retrocesso” e alerta para risco de isolamento do Brasil em uma fase de corrida internacional por infraestrutura digital.

“A ausência de incentivos atinge toda a sociedade brasileira. Sem infraestrutura computacional competitiva no Brasil, pagamos mais caro, dependemos mais do exterior e não avançamos em autonomia tecnológica”, afirmam as entidades.

O impacto, segundo a nota, não se restringe às grandes empresas. Trabalhadores que atuam digitalmente, estudantes e pequenas companhias que dependem de serviços tecnológicos também enfrentam custos mais elevados e maior exposição à infraestrutura estrangeira.

Em dezembro/2025, a PL da Inteligência Artificial já tinha sido retirado da agenda legislativa.

O Congresso ainda não informou nova data para apreciação do projeto.

Após viagem oficial à Índia e à Coreia do Sul ao lado do presidente Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o programa pode ser restabelecido caso haja disposição política no Legislativo.

“Vamos ter que entender se há uma indisposição ou se há negociação possível para aprovar um projeto que pode trazer bilhões de reais para o Brasil”, disse o ministro.

Haddad acrescentou que a equipe econômica estuda alternativas para viabilizar o programa sem violar as regras fiscais que restringem a criação de novos benefícios tributários.

Para o setor de tecnologia, porém, o tempo político pode custar caro. Em um cenário global de disputa por investimentos em infraestrutura digital e inteligência artificial, o adiamento é visto como mais um sinal de hesitação institucional, com potencial de ampliar o atraso competitivo do país.

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