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Chile bate recorde de energia renovável e consolida liderança regional com avanço da solar e da eólica
Crescimento das renováveis impõe novos desafios de armazenamento, transmissão e gestão da demanda.
O Chile atingiu um novo marco histórico em sua matriz elétrica ao alcançar 75% da geração de energia proveniente de fontes renováveis, consolidando-se como um dos países mais avançados da América Latina na transição energética. O dado, divulgado pela Generadoras de Chile, reforça o protagonismo chileno no uso de energia limpa e sustentável no Sistema Elétrico Nacional (SEN).
O resultado é fruto de uma transformação estrutural iniciada há mais de uma década, marcada por investimentos contínuos em energia solar e energia eólica, além da modernização da infraestrutura de transmissão. Com isso, as fontes renováveis deixaram de ter papel complementar e passaram a ocupar posição central no abastecimento elétrico do país.
Atualmente, o Chile conta com cerca de 11 GW de capacidade instalada em energia solar fotovoltaica, impulsionada principalmente pelos grandes projetos localizados no Deserto do Atacama, uma das regiões com maior irradiação solar do mundo. Já a energia eólica soma aproximadamente 6 GW de capacidade instalada, com parques distribuídos sobretudo nas regiões centro e sul do país, contribuindo para a diversificação e a segurança da matriz elétrica
Entre as maiores usinas de energia do Chile, destaca-se o Complexo Solar Cerro Dominador, referência internacional por integrar geração fotovoltaica e tecnologia de concentração solar (CSP) com armazenamento térmico, totalizando cerca de 210 MW em sua planta fotovoltaica. Outros projetos solares de grande porte incluem o Parque Solar El Romero, com aproximadamente 196 MW, e o Parque Solar Finis Terrae, com cerca de 160 MW, ambos fundamentais para a expansão da energia solar no país.
Na geração eólica, o Parque Eólico Cabo Leones é um dos maiores da América do Sul, com capacidade próxima de 330 MW, seguido por empreendimentos como o Parque Eólico Taltal, com cerca de 173 MW, que reforçam a produção de energia limpa em larga escala. A matriz chilena também mantém forte participação da geração hidrelétrica, com usinas estratégicas como Ralco, que possui cerca de 690 MW, e Angostura, com aproximadamente 316 MW, essenciais para a estabilidade do sistema.
O avanço das energias renováveis no Chile gera impactos que vão além da redução das emissões de carbono. Uma matriz elétrica mais limpa e diversificada diminui a dependência de combustíveis fósseis importados, fortalece a segurança energética e cria um ambiente mais competitivo para o desenvolvimento econômico e industrial, além de atender às crescentes exigências de sustentabilidade do mercado global.
A Enertrack Tech, fabricante global de trackers solares e estruturas fotovoltaicas de alta engenharia, considera o Chile e a América Latina um dos mercados solares mais estratégicos do mundo para 2026, impulsionado pelo aumento da demanda por soluções de alta eficiência e pelo crescimento de projetos híbridos. Embora sujeita a ciclos políticos, a diversidade regulatória da região cria redundância e flexibilidade comercial. “Trabalhamos com foco na engenharia e na entrega. Acreditamos que, mesmo com oscilações políticas, sempre há um mercado em aceleração no continente. Nossa meta para 2026 é consolidar a Enertrack como referência técnica e comercial em trackers e estruturas avançadas no Chile e em alguns países da América Latina”, ressalta o diretor da Enertrack LatAm, Diego Silva.
Com capacidade produtiva anual de até 16 GW, mais de 90 patentes e 10 GW de fornecimentos acumulados, a empresa reforça sua atuação por meio da divisão Enertrack LatAm, estabelecida para atender demandas específicas de usinas de grande porte e projetos de geração distribuída no Chile, Brasil, Cone Sul, Andes e Caribe.
Ao mesmo tempo, o novo recorde evidencia desafios importantes. O crescimento acelerado de fontes renováveis variáveis aumenta a necessidade de soluções de armazenamento de energia, maior flexibilidade operacional e planejamento integrado da rede elétrica, garantindo confiabilidade no fornecimento mesmo em períodos de menor geração solar ou eólica.
O desempenho recorde confirma que o Chile avança de forma consistente rumo a uma matriz energética moderna, limpa e resiliente. Para manter esse ritmo, o país precisará continuar ampliando investimentos, aprimorando políticas públicas e fortalecendo a integração entre geração, transmissão e consumo, assegurando que a transição energética seja sustentável no longo prazo.

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