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Cemig inaugura microrrede solar com baterias em Serra da Saudade e cria modelo inédito de autonomia energética no Brasil

Cemig inaugura microrrede solar com baterias em Serra da Saudade e cria modelo inédito de autonomia energética no Brasil

Sistema pioneiro combina usina fotovoltaica e armazenamento de energia para reduzir quase a zero as quedas de luz na menor cidade do país.

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A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) inaugurou nesta quinta-feira (15/1) um sistema de energia inovador e inédito no Brasil em Serra da Saudade, no Centro-Oeste mineiro, município reconhecido como o menor do país em número de habitantes. O projeto marca um novo avanço no uso de fontes renováveis associadas a baterias para garantir autonomia energética, continuidade do fornecimento e melhoria da qualidade da energia elétrica.

Com investimento de aproximadamente R$ 7 milhões, a iniciativa integra uma usina fotovoltaica com capacidade instalada de 500 quilowatt-pico (kWp) a um sistema de armazenamento em baterias de dois megawatt-hora (MWh). Diferentemente do modelo convencional, a energia solar gerada não é injetada diretamente na rede, mas utilizada para carregar as baterias, que entram em operação automaticamente em caso de falhas no sistema principal, segundo destaca matéria do jornal Diário do Comércio/MG..

A tecnologia permite que Serra da Saudade seja abastecida por até 48 horas de forma totalmente autônoma em situações de interrupção no fornecimento externo. Na prática, o novo sistema reduz quase a zero as ocorrências de falta de energia no município, que em 2024 registrou 12 interrupções, além de diminuir o tempo médio de desligamento de 24 horas para cerca de 30 segundos. O projeto também contribui para a melhoria da qualidade da energia, mantendo a tensão estável dentro dos padrões regulatórios e reduzindo distúrbios elétricos.

Segundo a Cemig, a experiência bem-sucedida já abriu caminho para a replicação do modelo em outros municípios mineiros com características semelhantes. A empresa identificou oportunidades em pelo menos 12 cidades, com projetos em fase de desenvolvimento e investimentos estimados em R$ 85 milhões.

De acordo com o vice-presidente de Distribuição da companhia, Marney Tadeu Antunes, o projeto surgiu a partir do desafio de levar dupla alimentação elétrica a todos os municípios atendidos pela Cemig em Minas Gerais. Já o presidente da empresa, Reynaldo Passanezi Filho, destacou que a iniciativa é especialmente voltada às localidades menos populosas, onde a implantação de duas fontes convencionais de energia se torna mais complexa, embora não descarte a aplicação do modelo em cidades maiores no futuro, com o avanço da tecnologia.

O superintendente de Operações da Cemig, William Alves, explicou que os indicadores de qualidade e continuidade do fornecimento em Serra da Saudade estavam abaixo do esperado. A solução tradicional envolveria a construção de uma nova rede com dois alimentadores a partir de Abaeté, município localizado a cerca de 30 quilômetros, com custo estimado em R$ 30 milhões — valor significativamente superior ao investimento necessário para a implantação da microrrede solar com baterias.

Apesar da economia gerada, Passanezi reforçou que a inovação no setor elétrico não pode ser guiada apenas pela comparação de custos. “Existem soluções em que a inovação precisa ser feita. Não se pode pensar sempre apenas se é mais barato do que o modelo convencional, porque assim não se consegue avançar tecnologicamente”, afirmou o presidente da Cemig.

Projeto antecipa debate sobre leilão de baterias BESS e reforça papel do armazenamento de energia no Brasil

A inauguração do sistema em Serra da Saudade ocorre em um momento estratégico para o setor elétrico brasileiro, marcado pelo avanço do debate sobre armazenamento de energia e pela expectativa em torno do primeiro leilão específico de baterias BESS (Battery Energy Storage Systems) no País.

A iniciativa do governo federal busca viabilizar a contratação de sistemas de armazenamento em larga escala para aumentar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), reduzir riscos de apagões, apoiar a integração de fontes renováveis intermitentes e fortalecer a segurança energética.

Projetos como o da Cemig em Minas Gerais antecipam, na prática, o papel que as baterias devem desempenhar no futuro da matriz elétrica brasileira, especialmente em regiões remotas ou com limitações de infraestrutura convencional.

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