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BESS ganha espaço no campo e muda a gestão de energia no agronegócio
Sistemas de armazenamento em baterias reduzem custos, evitam perdas em apagões e impulsionam independência energética no Centro-Oeste, Sul e Sudeste.
O avanço dos sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS (Battery Energy Storage System), começa a alterar a lógica de consumo elétrico no agronegócio brasileiro. Em meio a tarifas mais elevadas e instabilidade no fornecimento em áreas rurais, produtores têm recorrido à tecnologia para reduzir custos, evitar perdas e garantir previsibilidade operacional.
A agricultura moderna depende de energia em praticamente todas as etapas da produção. Sistemas de irrigação, estufas climatizadas, granjas automatizadas e unidades de armazenagem e processamento funcionam de forma contínua. Em muitas regiões do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, onde se concentra grande parte da produção nacional, oscilações e interrupções no fornecimento representam risco direto à produtividade.
O BESS funciona como uma reserva estratégica. O sistema armazena energia da rede em horários de menor custo ou capta excedentes de geração solar instalada na própria propriedade. Quando a tarifa sobe ou ocorre falha no abastecimento, a bateria entra em operação, garantindo continuidade às atividades. Na prática, o produtor reduz exposição a picos tarifários e diminui a dependência de geradores a diesel.
Em propriedades com irrigação intensiva, o armazenamento tem permitido manter bombas em funcionamento mesmo durante apagões. Já em granjas de aves e suínos, a estabilidade elétrica evita falhas em sistemas de ventilação e alimentação automatizada, reduzindo estresse animal e prejuízos. Em armazéns frigoríficos, a tecnologia protege estoques e assegura a manutenção da cadeia de frio.
Exemplos reais de transformação
No cinturão agrícola conhecido como Wheat Belt, no estado de Western Australia, uma grande fazenda de trigo integrou energia solar com BESS para alimentar o sistema de irrigação. O resultado foi uma redução de cerca de 40% na conta de eletricidade e a eliminação da dependência de geradores a combustível para manutenção do abastecimento durante todo o ciclo da safra.
Em Goiás, uma granja intensiva adotou BESS para estabilizar o fornecimento elétrico de equipamentos de controle climático e iluminação. A propriedade registrou queda de 50% no consumo total de energia, redução de 35% nos custos com eletricidade e eliminação das flutuações da rede que prejudicavam sistemas automatizados.
A combinação entre painéis solares e baterias amplia os ganhos. Durante o dia, a energia gerada é utilizada nas operações e o excedente é armazenado para consumo noturno. O modelo reduz custos operacionais e contribui para metas ambientais, ao diminuir a dependência de combustíveis fósseis.
No Brasil, o movimento ainda está em fase de expansão, mas ganha tração à medida que o custo da tecnologia recua e o debate sobre segurança energética avança. Para produtores expostos à volatilidade de insumos e às incertezas climáticas, transformar a energia em ativo estratégico tornou-se parte do planejamento.
No campo, a bateria deixa de ser apenas equipamento tecnológico. Passa a ser instrumento de competitividade.

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