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Baterias ganham espaço no agronegócio e podem reduzir custo de irrigação em até 60%

Baterias ganham espaço no agronegócio e podem reduzir custo de irrigação em até 60%

Armazenamento de energia surge como solução estratégica para o agro, reduz custos operacionais e amplia segurança elétrica em regiões remotas.

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A energia elétrica tornou-se um fator decisivo para a competitividade do agronegócio brasileiro. A expansão das áreas irrigadas, tecnologia capaz de triplicar o valor da terra e elevar significativamente a produtividade agrícola, vem acompanhada de um desafio crescente: garantir fornecimento energético estável e contínuo nas propriedades rurais.

Em diversas regiões do país, limitações técnicas das redes de distribuição já começam a restringir a expansão de projetos agrícolas, dificultando a instalação de pivôs de irrigação, sistemas de bombeamento e equipamentos industriais. Em áreas remotas, oscilações frequentes e custos elevados de conexão tornam o acesso à energia um gargalo para o crescimento da produção.

Nesse contexto, soluções baseadas em microrredes com sistemas de armazenamento em baterias, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage System), começam a ganhar espaço entre produtores rurais, cooperativas e agroindústrias.

Irrigação mais eficiente e autonomia energética no campo

A tecnologia permite armazenar energia gerada em períodos de maior produção solar ou menor demanda e utilizá-la nos horários de pico ou em momentos de falha da rede elétrica. Na prática, o sistema garante o funcionamento contínuo de pivôs de irrigação, bombas d’água, sistemas de refrigeração e climatização, essenciais para diversas atividades do agronegócio.

Especialistas apontam que o modelo pode reduzir em até 60% os custos com irrigação, uma das despesas mais relevantes da produção agrícola intensiva. Além disso, oferece autonomia energética para propriedades situadas em regiões de difícil acesso à rede convencional, onde interrupções e instabilidade no fornecimento são frequentes.

A tecnologia também vem sendo aplicada em pecuária, avicultura e agroindústria, setores que dependem de energia constante para climatização, processamento e armazenamento de alimentos.

Mercado de baterias cresce rapidamente no Brasil

Dados da consultoria Greener indicam que a demanda por componentes de sistemas BESS no Brasil cresceu 89% no último ano em relação a 2023. Até 2024, o país acumulou 685 MWh de capacidade instalada, sendo cerca de 70% voltados a sistemas isolados, como aplicações rurais. Somente em 2024 foram adicionados 269 MWh, um avanço de 29% em comparação ao ano anterior.

A expansão também está ligada à queda de cerca de 85% no custo das baterias na última década, movimento que ampliou significativamente a viabilidade econômica de projetos de armazenamento associados à geração solar.

Hoje já existem propriedades, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, operando microrredes híbridas que integram energia solar, baterias e geradores a diesel. O modelo garante backup imediato em caso de falha no fornecimento elétrico, reduz o desgaste de equipamentos e diminui a sobrecarga das redes locais.

Produtores relatam ganhos com nova tecnologia

No campo, a adoção de sistemas híbridos com baterias já começa a gerar resultados concretos. Em Sorriso, um dos principais polos de produção de soja do país, produtores que investiram em soluções energéticas associadas à irrigação relatam ganhos de eficiência e redução de custos.

“A irrigação sempre foi um dos maiores custos da lavoura. Com a solução de energia integrada com baterias e solar, conseguimos manter os pivôs funcionando mesmo quando a rede oscila. Hoje temos mais segurança na produção e uma economia significativa no custo operacional da soja”, afirma um produtor rural da região.

Na avicultura, os resultados também são perceptíveis. Em Ermo, no sul do país, granjas passaram a adotar sistemas híbridos com armazenamento para garantir a climatização dos aviários.

“Os ventiladores e sistemas de climatização precisam funcionar o tempo todo para garantir o bem-estar dos frangos. Com as baterias híbridas conseguimos reduzir bastante o gasto com energia e eliminar o risco de parada quando a rede cai”, relata um produtor de frangos da região.

A tendência, segundo especialistas do setor, é que microrredes com armazenamento em baterias se tornem parte da infraestrutura energética das fazendas modernas, acompanhando o avanço da agricultura de alta tecnologia e a crescente demanda por produtividade e eficiência no agronegócio brasileiro.

Leilão de baterias deve impulsionar nova infraestrutura energética

A expansão dessas soluções pode ganhar novo impulso com o Leilão de Reserva de Capacidade 2026, previsto para abril do próximo ano. O certame pretende contratar potência elétrica proveniente de novos sistemas de armazenamento em baterias, reforçando a segurança e a estabilidade do sistema elétrico nacional.

A iniciativa busca complementar a operação de hidrelétricas e termelétricas, melhorando o aproveitamento das fontes renováveis e reduzindo a necessidade de geração térmica em horários de pico. O leilão também deve atrair investimentos privados e impulsionar a inovação tecnológica, consolidando o Brasil como um dos mercados emergentes na transição energética.

Especialistas avaliam que o avanço dessa infraestrutura terá reflexos diretos no agronegócio, ampliando a oferta de tecnologias capazes de garantir energia estável, reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade no campo.

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