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Anfavea intensifica pressão contra isenção à BYD e alerta para risco de 69 mil demissões no setor automotivo
Com o fim do prazo para veículos CKD e SKD se aproximando, montadoras tradicionais cobram do governo o encerramento do benefício fiscal e falam em ameaça de desindustrialização no Brasil
A poucos dias do fim da isenção do imposto de importação para veículos eletrificados desmontados nos modelos CKD e SKD, a disputa entre a montadora chinesa BYD e as fabricantes tradicionais instaladas no Brasil ganha novos contornos e eleva a pressão sobre o governo federal.
O benefício, que vence em 31 de janeiro, foi concedido em julho de 2025 e permitiu uma cota extra de US$ 463 milhões por seis meses, com alíquota zero. A medida favorece diretamente a BYD, que atualmente opera em sua fábrica de Camaçari (BA) com veículos parcialmente desmontados para posterior montagem no país.
Segundo informações do UOL, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) atua nos bastidores para impedir a renovação da isenção. Em nota divulgada nesta semana, a entidade afirma que a manutenção do incentivo pode resultar na eliminação de até 69 mil empregos diretos no setor automotivo.
Além disso, a Anfavea estima impacto negativo sobre cerca de 227 mil postos de trabalho indiretos e uma perda econômica bilionária ao longo de toda a cadeia produtiva. Para a associação, a ampliação do uso dos modelos CKD e SKD abre espaço para que montadoras reduzam o nível de produção local, enfraquecendo fornecedores, centros de engenharia, universidades e a arrecadação de impostos.
A origem do impasse remonta ao primeiro semestre de 2025, quando a BYD solicitou ao governo a prorrogação da isenção até junho de 2028. A montadora chinesa alegou que precisava do incentivo por mais tempo enquanto estruturava sua produção no Brasil.
O pedido provocou reação imediata das fabricantes tradicionais. Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o fim da redução do imposto. No documento, as empresas classificaram a proposta como concorrência desleal e alertaram para o risco de uma “importação disfarçada” de produção local, com baixo impacto na geração de empregos e no desenvolvimento tecnológico do país.
Com o prazo da isenção se esgotando, a tensão aumenta. De um lado, a BYD tenta preservar o modelo atual enquanto amplia gradualmente sua produção nacional. Do outro, as montadoras e a Anfavea defendem o encerramento imediato do benefício, sob o argumento de que sua renovação pode acelerar um processo de desindustrialização e ameaçar diretamente dezenas de milhares de postos de trabalho no Brasil.

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