Português (Brasil)

Mercado de ônibus elétricos cresce 14,3% em 2026 e indústria brasileira domina o setor

Mercado de ônibus elétricos cresce 14,3% em 2026 e indústria brasileira domina o setor

Alta nas vendas indica que a eletrificação do transporte coletivo deixa de ser uma experiência isolada e passa a avançar em ritmo industrial, embora ainda concentrada em poucas cidades.

Compartilhe este conteúdo:

O mercado brasileiro de ônibus elétricos começou 2026 em ritmo de expansão e dá sinais de que a eletrificação do transporte coletivo deixou de ser apenas um conjunto de projetos-piloto para entrar em uma fase de consolidação. Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico, entre janeiro e maio, foram emplacados 311 veículos no país, alta de 14,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O avanço ganhou força em maio. Foram 132 ônibus elétricos registrados, contra apenas 24 no mesmo mês de 2025, crescimento de 450%, impulsionado por compras públicas, ampliação da produção nacional e maior oferta de modelos para diferentes sistemas de transporte urbano.

Os números ainda não incluem os 500 ônibus elétricos entregues pela Prefeitura de São Paulo em junho, o que indica que o mercado deverá fechar o primeiro semestre em um patamar significativamente superior ao observado nos últimos anos.

Produção nacional assume protagonismo

A indústria instalada no Brasil praticamente monopoliza o segmento. Dos 311 ônibus elétricos emplacados entre janeiro e maio, 308 foram fabricados no país, o equivalente a 99% do total.

O desempenho confirma a maturidade da cadeia produtiva nacional e reduz a dependência de importações em um dos segmentos considerados estratégicos para a descarbonização da mobilidade urbana.

Ao todo, oito fabricantes ofereceram 20 modelos diferentes ao mercado brasileiro. Seis empresas já produzem localmente, ampliando a competitividade e permitindo atender às exigências de programas de financiamento que priorizam conteúdo nacional.

A liderança ficou com a Eletra, responsável por 148 veículos (48% do mercado). Na sequência aparecem a BYD, com 95 unidades (31%), e a Mercedes-Benz, com 47 ônibus (15,2%)

São Paulo concentra a eletrificação

Apesar do crescimento nacional, a expansão continua altamente concentrada. O Sudeste respondeu por 95,2% dos emplacamentos registrados no período, com 296 unidades. O Estado de São Paulo sozinho concentrou 293 registros, praticamente todo o volume da região.

Entre os municípios, a capital paulista lidera com ampla vantagem, respondendo por 269 ônibus elétricos, o equivalente a 86,5% de todo o mercado brasileiro entre janeiro e maio.

Municípios com maior número de emplacamentos (jan-mai/2026)

  • São Paulo — 269
  • Goiânia — 15
  • Osasco — 12
  • São Bernardo do Campo — 11
  • Confins — 2
  • Rio de Janeiro — 1
  • Santos — 1

O Centro-Oeste aparece na segunda posição nacional graças aos investimentos realizados em Goiânia, responsável por 15 novos veículos.

Mercado ganha escala

O desempenho de 2026 mostra uma mudança de patamar. Os 311 ônibus emplacados nos cinco primeiros meses do ano já representam 36,8% de todo o volume registrado em 2025, quando foram comercializadas 844 unidades. O resultado também supera em 3% o total vendido durante todo o ano de 2024, evidenciando uma aceleração consistente do mercado.

Entre os fatores que explicam esse movimento estão o aumento das metas de redução de emissões, novas linhas de crédito, compras públicas em maior escala, crescimento da oferta de modelos e fortalecimento da indústria nacional.

A expansão também tem sido sustentada por programas governamentais voltados à renovação do transporte coletivo. O Novo PAC prevê recursos para aquisição de 2.296 ônibus elétricos em diferentes cidades brasileiras. Paralelamente, o BNDES já aprovou R$ 4,5 bilhões em financiamentos destinados à compra de aproximadamente 2 mil veículos elétricos.

Outro impulso veio da ampliação do programa Move Brasil, que passou a incluir ônibus e micro-ônibus em uma linha de crédito de R$ 21,2 bilhões voltada a projetos com critérios de sustentabilidade e incentivo à produção nacional.

Transição avança, mas ainda é desigual

Embora o crescimento seja expressivo, os dados mostram que a eletrificação do transporte coletivo ainda ocorre de forma concentrada em poucos municípios. A expansão para outras capitais e cidades médias dependerá da continuidade dos programas de financiamento, da capacidade de investimento das administrações municipais e da ampliação da infraestrutura de recarga.

Também é importante destacar que os números refletem os emplacamentos realizados em cada município e não representam, necessariamente, a quantidade total de ônibus elétricos atualmente em circulação nessas localidades.

Depois de anos de avanços graduais, o mercado brasileiro entra em uma etapa em que produção nacional, crédito público e políticas de mobilidade passam a determinar a velocidade da transição para uma frota urbana menos poluente e mais eficiente.

Compartilhe este conteúdo:

Na sua experiência, qual é o melhor inversor solar atualmentev?


Voto computado com sucesso!
Na sua experiência, qual é o melhor inversor solar atualmentev?
Total de votos:
"Huawei"
"Solis" "Deye" "Sungrow"
"WEG"
"Growatt"
"GoodWe"
"Outro"