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Brasil perde posição no ranking global da energia solar e expõe gargalos da política energética

Brasil perde posição no ranking global da energia solar e expõe gargalos da política energética

Queda de 23% nas novas instalações leva país ao 5º lugar mundial; setor aponta atraso na expansão da transmissão, curtailment e aumento de custos como entraves ao crescimento.

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O Brasil deixou de ocupar a quarta posição entre os maiores mercados de energia solar do mundo e caiu para o quinto lugar no ranking global após registrar uma redução de 23% nas novas instalações fotovoltaicas em 2025. O país adicionou 14,5 GWp de capacidade, contra 18,9 GWp no ano anterior, segundo relatório da SolarPower Europe elaborado com participação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

Embora o Brasil continue sendo uma das maiores potências mundiais em geração solar, a desaceleração acendeu um alerta no setor, que atribui a perda de competitividade a uma combinação de problemas regulatórios, tributários e de infraestrutura.

Uma das principais críticas feitas por representantes da cadeia solar é a demora na expansão das redes de transmissão, especialmente entre o Nordeste, região que concentra grande parte da geração eólica e solar e os grandes centros consumidores do Sudeste.

Sem capacidade suficiente para escoar a energia produzida, o Operador Nacional do Sistema (ONS) tem determinado cortes na geração de usinas renováveis, fenômeno conhecido como curtailment. Segundo a ABSOLAR, esses cortes, muitas vezes sem ressarcimento integral aos empreendedores, reduziram a atratividade de novos investimentos e contribuíram para a queda do Brasil no ranking mundial.

Críticos da política energética afirmam que, durante o atual governo Lula, os investimentos em expansão da infraestrutura de transmissão não acompanharam o ritmo de crescimento das fontes renováveis, ampliando os gargalos do sistema elétrico. Já o governo e agentes do setor ressaltam que novas obras de transmissão dependem de planejamento de longo prazo, licenciamento ambiental e leilões regulados, fatores que extrapolam um único mandato.

Tributação mais elevada também pesa sobre o setor

Outro ponto frequentemente citado pelo mercado foi o aumento das alíquotas de importação sobre equipamentos fotovoltaicos, medida defendida pelo governo Lula como forma de estimular a fabricação nacional.

Na avaliação de empresas e entidades do setor, entretanto, a elevação dos custos ocorreu em um momento de juros elevados, dólar valorizado e redução das margens dos projetos, dificultando novos investimentos e diminuindo a competitividade da energia solar no país.

Para o mercado, o contraste é evidente. Enquanto países concorrentes aceleram investimentos para ampliar redes elétricas e integrar novas fontes renováveis, o Brasil enfrenta restrições para escoar a energia produzida, especialmente no Nordeste, região que concentra alguns dos maiores parques solares e eólicos do mundo.

Planejamento da rede tornou-se prioridade

A experiência internacional mostra que a expansão das energias renováveis exige investimentos simultâneos em linhas de transmissão, digitalização da rede e sistemas de armazenamento de energia.

A própria ABSOLAR cita a Austrália como referência por combinar forte crescimento da geração fotovoltaica com ampliação da infraestrutura elétrica e incentivos ao armazenamento em baterias, permitindo integrar volumes crescentes de energia renovável ao sistema sem os mesmos níveis de restrição observados no Brasil.

Setor cobra mudanças para recuperar competitividade

Representantes da indústria defendem uma agenda voltada à aceleração dos investimentos em transmissão, à regulamentação do armazenamento de energia, à modernização das regras do setor elétrico e à revisão de medidas que elevaram o custo dos equipamentos importados.

Para especialistas, sem avanços nessas frentes, o Brasil corre o risco de perder parte da vantagem competitiva conquistada na última década justamente em um momento em que o mundo acelera investimentos em eletrificação, data centers, hidrogênio verde e descarbonização da economia.

A queda no ranking mundial não representa perda da importância estratégica da energia solar brasileira, mas evidencia que o crescimento futuro dependerá menos do potencial de geração e mais da capacidade do país de eliminar gargalos de infraestrutura, oferecer segurança regulatória e criar um ambiente favorável para novos investimentos.

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