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Eólica offshore pressiona governo por decreto e mira primeiro leilão de áreas ainda em 2026

Eólica offshore pressiona governo por decreto e mira primeiro leilão de áreas ainda em 2026

Com mais de 134 GW em projetos aguardando avanço regulatório, setor cobra definição das regras para destravar investimentos bilionários e iniciar nova indústria de energia renovável no Brasil.

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A indústria de energia eólica offshore intensificou a pressão sobre o governo federal para a publicação do decreto que concluirá a regulamentação do setor no Brasil. Considerado peça-chave para viabilizar o primeiro leilão de cessão de áreas marítimas, o texto era esperado para maio, mas segue sem previsão oficial de publicação.

A expectativa do mercado é que a regulamentação permita a realização da concorrência ainda em 2026, abrindo caminho para estudos ambientais, licenciamento e, posteriormente, a implantação dos primeiros parques eólicos em alto-mar no país.

Durante audiência pública realizada nesta terça-feira (16) na Comissão de Infraestrutura do Senado, representantes do setor defenderam que a eólica offshore pode se tornar um dos principais vetores de industrialização da economia brasileira nas próximas décadas.

Segundo Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), o leilão será o primeiro passo para estruturar uma cadeia produtiva capaz de atrair investimentos de longo prazo e consolidar uma nova indústria nacional baseada em energias renováveis.

A urgência do tema ganha relevância diante do volume de projetos em espera. Dados apresentados no Senado indicam que mais de 134 GW em empreendimentos offshore já possuem pedidos de licenciamento protocolados junto ao Ibama, concentrados principalmente na região Nordeste. Diversos projetos, contudo, disputam as mesmas áreas marítimas, reforçando a necessidade de regras claras para a cessão dos espaços.

Para Roberta Cox, presidente da Coalizão Eólica Marinha (CEM), a ausência do decreto impede que as empresas avancem nos levantamentos ambientais e de viabilidade econômica necessários para o processo de licenciamento. A entidade, criada neste ano para acelerar a estruturação do mercado offshore brasileiro, reúne empresas nacionais e internacionais interessadas no desenvolvimento da tecnologia.

O potencial brasileiro desperta atenção global. Apesar de ainda não possuir parques offshore em operação, o país reúne condições consideradas estratégicas pela indústria, como extensa faixa costeira, elevada qualidade dos ventos e uma matriz elétrica já fortemente baseada em fontes renováveis.

No cenário internacional, a energia eólica offshore soma 92,5 GW instalados em 19 países. Em 2025, foram adicionados 9,3 GW de nova capacidade, com liderança da China, responsável por 6,6 GW das novas conexões. O ritmo de crescimento, entretanto, perdeu força diante da inflação global, juros elevados, gargalos na cadeia de suprimentos e incertezas regulatórias em diversos mercados.

Mesmo diante desses desafios, o setor avalia que o Brasil está diante de uma oportunidade histórica para desenvolver uma nova indústria de alta tecnologia, com potencial para gerar empregos, fortalecer a cadeia de fornecedores e ampliar a competitividade do país na transição energética global.

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