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Brasil acelera em ônibus elétricos, e BYD já domina 45% do mercado
Emplacamentos cresceram em 2026, com São Paulo puxando a eletrificação e a BYD liderando com folga.
O mercado brasileiro de ônibus elétricos iniciou 2026 em trajetória de crescimento e começa a apresentar sinais de consolidação após anos de avanço gradual. Os dados mais recentes mostram aumento dos emplacamentos e reforçam a liderança da fabricante chinesa BYD, ao mesmo tempo em que evidenciam a concentração da eletrificação do transporte coletivo em poucas cidades.
Segundo números da Fenabrave, maio registrou o melhor desempenho do ano para o segmento. Foram emplacados 132 ônibus elétricos no país, o maior volume mensal de 2026 até o momento.
A BYD respondeu por 59 dessas unidades, alcançando participação de 44,7% do mercado. Na prática, quase metade dos ônibus elétricos registrados no período saiu das linhas da fabricante chinesa, que ampliou sua presença em um setor ainda considerado estratégico para a descarbonização do transporte urbano.
O crescimento não se limita à empresa. Entre janeiro e maio, o Brasil emplacou 311 ônibus elétricos, resultado 12,3% superior ao observado no mesmo período de 2025. Embora os números ainda sejam modestos diante da dimensão da frota nacional de transporte coletivo, especialistas veem um sinal de amadurecimento do mercado.
A expansão, porém, permanece concentrada. São Paulo reúne cerca de 80% da frota de ônibus elétricos em circulação no país, com aproximadamente 1,3 mil veículos. O protagonismo da capital paulista está associado às metas de redução de emissões, exigências regulatórias e capacidade de investimento da administração municipal.
O cenário revela uma desigualdade crescente entre cidades que conseguem avançar na renovação da frota e aquelas que ainda enfrentam limitações financeiras e estruturais. O alto custo inicial dos veículos, a necessidade de infraestrutura de recarga e os desafios de financiamento continuam entre os principais obstáculos para a adoção em larga escala.
Nesse contexto, a discussão do setor deixou de se concentrar exclusivamente na viabilidade tecnológica. A operação dos ônibus elétricos já é considerada uma realidade em diversas redes urbanas. O desafio agora passa pela ampliação da infraestrutura, pela redução dos custos de implantação e pela criação de modelos financeiros capazes de viabilizar projetos em municípios de diferentes portes.
A posição da BYD é favorecida pela operação industrial instalada em Campinas (SP), onde a companhia produz chassis para ônibus elétricos e integra soluções de baterias e sistemas de energia. A estratégia reduz parte das barreiras logísticas e reforça a competitividade da empresa em um mercado ainda em formação..jpeg)
Enquanto São Paulo segue como principal laboratório da eletrificação brasileira, outras capitais começam a estruturar projetos de maior porte. É o caso de Porto Alegre, que recebeu autorização da Secretaria do Tesouro Nacional para contratar financiamento de R$ 447 milhões junto ao BNDES.
Os recursos serão destinados à aquisição de 100 ônibus elétricos e à implantação da infraestrutura de recarga necessária para a operação da nova frota. A iniciativa integra o programa POA Futura e representa um dos maiores investimentos já anunciados pela capital gaúcha na modernização do transporte coletivo.
Com a aprovação federal, a prefeitura deve avançar nos próximos meses para a assinatura do contrato de financiamento. Caso o cronograma seja mantido, Porto Alegre poderá se tornar uma das principais vitrines da eletrificação do transporte público fora do eixo paulista.
Os números de 2026 indicam que o mercado brasileiro de ônibus elétricos ainda está distante de uma transformação ampla, mas apontam para uma mudança de escala. A tecnologia já não se restringe a projetos-piloto e começa a ocupar espaço crescente nas decisões de investimento de governos e operadores de transporte urbano.

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