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Carros elétricos: Rio Grande do Sul lidera infraestrutura de recarga, enquanto São Paulo e DF enfrentam déficit de eletropostos
Estados com maior número de veículos eletrificados registram as piores proporções entre carros e eletropostos; especialistas alertam para necessidade de multiplicar infraestrutura por dez até 2030.
O avanço dos veículos elétricos no Brasil começa a revelar um desafio que acompanha os principais mercados globais: a expansão da infraestrutura de recarga não está conseguindo acompanhar o ritmo de crescimento da frota.
Levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostra que o país adicionou 6.234 novos carregadores públicos e semipúblicos entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, elevando a rede nacional para 21.061 pontos de recarga. No mesmo período, a frota brasileira de veículos elétricos alcançou 721.803 unidades.
O resultado é uma média de 34,27 veículos por carregador, indicador que coloca o Brasil em posição inferior à observada em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, onde a relação gira em torno de 12 veículos por ponto de abastecimento.
São Paulo e Distrito Federal lideram frota, mas enfrentam déficit de infraestrutura
O estudo mostra que a pressão sobre a infraestrutura é mais intensa justamente nas regiões onde a adoção dos veículos elétricos avança com maior velocidade.
São Paulo, responsável pela maior frota eletrificada do país, reúne aproximadamente 223 mil veículos elétricos e 5.876 eletropostos públicos e semipúblicos. Embora possua a maior rede de recarga nacional em números absolutos, a relação é de 37,9 veículos por carregador, a nona pior entre as unidades federativas.
A situação é ainda mais crítica no Distrito Federal. Com mais de 60 mil veículos elétricos em circulação e apenas 821 pontos de recarga, a unidade federativa registra a pior proporção do país: 73,5 veículos para cada eletroposto disponível.
Os números reforçam a preocupação de agentes do setor com a necessidade de acelerar investimentos em infraestrutura para evitar que a expansão da mobilidade elétrica encontre limitações operacionais nos próximos anos.
Sul e Nordeste apresentam os melhores indicadores
Na direção oposta, estados com menor concentração de veículos elétricos conseguiram desenvolver uma rede mais equilibrada de carregamento.
O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional, com média de 21,8 veículos por eletroposto. Em seguida aparecem Ceará, com 24,2 veículos por carregador, e Rio Grande do Norte, com 24,4.
O desempenho dessas regiões indica que o planejamento antecipado da infraestrutura pode contribuir para reduzir gargalos à medida que a eletrificação da frota avança.
Expansão da rede depende de energia, investimentos e localização estratégica
Especialistas apontam que a ampliação da infraestrutura pública de recarga envolve desafios que vão além da simples instalação dos equipamentos.
A implantação de eletropostos exige redes elétricas robustas, capacidade de fornecimento de energia e investimentos em obras de conexão, além da obtenção de licenças e autorizações específicas.
Outro fator considerado decisivo é a escolha dos locais de instalação. Shoppings, supermercados, restaurantes, academias e centros comerciais continuam sendo os ambientes mais atrativos para receber carregadores, uma vez que permitem ao motorista abastecer o veículo durante atividades já incorporadas à rotina diária.
A estratégia reduz a necessidade de deslocamentos exclusivos para recarga e melhora a experiência dos usuários.
Setor projeta salto de dez vezes na infraestrutura até o fim da década
As projeções para os próximos anos indicam que o desafio tende a se intensificar. Estudos do setor apontam que o Brasil precisará ampliar sua infraestrutura pública de recarga em aproximadamente dez vezes até 2030, alcançando cerca de 180 mil carregadores para acompanhar o crescimento esperado da frota de veículos elétricos.
O volume de investimentos necessários envolve distribuidoras de energia, operadores de recarga, montadoras, incorporadoras e gestores de infraestrutura urbana.
Carregamento residencial deve ganhar protagonismo
Diante das limitações da rede pública, o carregamento residencial desponta como a principal alternativa para sustentar a expansão da mobilidade elétrica no país.
A instalação de carregadores em residências, condomínios e ambientes corporativos tende a reduzir a pressão sobre os eletropostos públicos e a oferecer maior conveniência aos proprietários.
Nesse contexto, especialistas avaliam que a conscientização dos consumidores e a adaptação das edificações serão tão importantes quanto os investimentos em infraestrutura pública para garantir a evolução sustentável do mercado brasileiro de veículos elétricos.

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