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São Paulo avança com proposta para obrigar carregadores elétricos em rodovias

São Paulo avança com proposta para obrigar carregadores elétricos em rodovias

Projeto em tramitação na Alesp exige instalação de recarga rápida em vias concedidas e acompanha expansão de mais de 40% da infraestrutura no Brasil.

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O Projeto de Lei nº 306/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, coloca o estado no centro da discussão sobre o futuro da mobilidade elétrica no Brasil. A proposta prevê a obrigatoriedade da instalação de pontos de recarga para veículos elétricos ao longo das rodovias concedidas, criando um novo marco para a infraestrutura de transporte no país.

Pelo texto, concessionárias deverão instalar ao menos um carregador rápido em cada Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), com potência mínima de 30 kW em corrente contínua (DC) e conectores no padrão CCS2, hoje dominante na indústria automotiva global. A medida busca garantir interoperabilidade entre diferentes modelos de veículos e padronizar a experiência do usuário nas estradas.

Além da instalação dos equipamentos, o projeto estabelece diretrizes para sinalização, acessibilidade e exclusividade das vagas destinadas à recarga. Também determina que futuros editais de concessão rodoviária já incluam a infraestrutura elétrica como requisito, ampliando o alcance da política no longo prazo. A regulação e fiscalização ficariam sob responsabilidade da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo.

A iniciativa surge em um momento de forte expansão da mobilidade elétrica no país. Em 2026, o Brasil ultrapassou a marca de 21 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, com crescimento de cerca de 42% em um ano, refletindo o avanço acelerado da frota eletrificada.

Mais do que o volume, chama atenção a mudança no perfil da rede. Os carregadores rápidos e ultrarrápidos, essenciais para viagens de longa distância, registraram crescimento de 167%, sinalizando uma transição da infraestrutura urbana para um modelo mais robusto, capaz de atender rodovias e corredores logísticos.

Esse avanço acompanha o desempenho do mercado automotivo. As vendas de veículos eletrificados cresceram 26% em 2025 e seguem em ritmo acelerado em 2026, ampliando a pressão por uma rede de recarga mais capilarizada e eficiente.

Nesse contexto, São Paulo se consolida como principal polo da mobilidade elétrica no país. O estado concentra a maior parte da infraestrutura instalada e lidera a expansão no Sudeste, região que reúne a maior rede de eletropostos do Brasil.

A agenda regulatória também tem papel central nesse avanço. A recente Lei 18.403, que garante a instalação de carregadores em condomínios, destravou uma demanda reprimida e abriu espaço para crescimento acelerado da infraestrutura privada e semipública.

Com isso, o mercado de recarga elétrica no Brasil, hoje estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano, pode ultrapassar R$ 3 bilhões no curto prazo, impulsionado principalmente por projetos concentrados em São Paulo.

As projeções indicam que o crescimento deve se manter sustentado por três vetores estruturais: expansão da frota elétrica, interiorização da infraestrutura, já presente em mais de 1.600 municípios e avanço tecnológico, com maior participação de carregadores rápidos e ultrarrápidos.

Caso aprovado, o projeto paulista pode estabelecer um novo padrão nacional para rodovias eletrificadas, reduzindo a chamada “ansiedade de autonomia” dos usuários e criando as bases para uma mobilidade de longa distância mais limpa, eficiente e integrada ao sistema energético.

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