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V.tal tem prejuízo de R$ 13,8 bilhões em 2025 mesmo com alta de 36% nos investimentos
Ajuste contábil bilionário e queda de receita revertem lucro do ano anterior; aquisição da Nio pressiona margem.
A V.tal registrou prejuízo líquido de R$ 13,85 bilhões em 2025, revertendo o lucro obtido no ano anterior. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (25/2) e reflete principalmente um ajuste contábil bilionário realizado no fim do ano passado.
Em dezembro, a companhia anunciou um impairment de R$ 11,8 bilhões, redução no valor recuperável de ativos, após revisar premissas financeiras e reavaliar expectativas futuras. O ajuste teve impacto direto sobre o resultado final.
A receita líquida consolidada somou R$ 7,04 bilhões em 2025, queda de 9% em relação ao exercício anterior. Entre os fatores apontados está uma decisão judicial que afetou a extração e destinação do cobre da rede legada da Oi.
Segundo o balanço, “em razão da suspensão da exigibilidade das obrigações extraconcursais da Oi, a V.tal ficou temporariamente impossibilitada de realizar a aquisição de cobre da Oi”, o que impactou receitas relacionadas à operação.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), excluindo os efeitos do impairment, foi de R$ 1,16 bilhão, retração de 73% frente aos R$ 4,3 bilhões registrados em 2024. A margem Ebitda caiu de 55% para 16%, recuo de 39 pontos percentuais.
A empresa atribui a deterioração operacional à integração da Nio, antiga ClientCo, unidade de fibra adquirida da Oi, e ao aumento de custos que antes eram compartilhados com a operadora.
Em fevereiro de 2025, a V.tal concluiu a compra da base de clientes de fibra da Oi, rebatizada como Nio, que reúne cerca de 3,5 milhões de assinantes e figura entre as maiores operações de banda larga do país. Entre fevereiro e dezembro, a divisão contribuiu com R$ 3,22 bilhões em receita, mas registrou prejuízo líquido de R$ 759 milhões no período.
A administração afirma que a unidade deve apresentar melhora de desempenho em 2026, após a consolidação da integração. Apesar do resultado negativo, a companhia ampliou os investimentos. O capex totalizou R$ 2,3 bilhões em 2025, alta de 36% na comparação anual.
Controlada por fundos geridos pelo BTG Pactual, a V.tal concentra ativos de infraestrutura que incluem mais de 502 mil quilômetros de fibra terrestre e 26 mil quilômetros de cabos submarinos.
No Brasil, a rede alcança 22,4 milhões de lares passados com fibra (homes passed) e soma 3,8 milhões de casas conectadas, considerando a Nio e outros clientes da rede neutra.
A companhia também controla a Tecto, operação de data centers com presença no Brasil e na Colômbia, voltada a soluções de edge computing e projetos para grandes provedores globais de tecnologia.
O desempenho de 2025 expõe o desafio de conciliar expansão acelerada, integração de ativos complexos e disciplina financeira em um setor pressionado por capital intensivo e margens em retração.

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