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Scala Data Centers aposta em megacomplexo no Sul e projeta maior data center da América do Sul
Empreendimento no Rio Grande do Sul pode alcançar escala inédita e impulsionar o país na corrida global por infraestrutura de IA.
O governo do Rio Grande do Sul formalizou um protocolo para acelerar o licenciamento ambiental do que pode se tornar o maior data center da América do Sul, projetado para Eldorado do Sul. A iniciativa, assinada ainda em 2024 pelo governador Eduardo Leite e executivos da Scala Data Centers, prevê tramitação prioritária e simplificada das licenças, condicionada à entrega de documentação técnica completa.
O empreendimento nasce com foco em processamento intensivo para inteligência artificial, atividade que exige volumes massivos de energia. Projeções indicam demanda
de até 5 GW a partir de 2035. Até o momento, o Ministério de Minas e Energia autorizou conexão limitada a 1,8 GW, patamar comparável ao consumo de uma metrópole como Rio de Janeiro.
Especialistas alertam que esse volume pode pressionar a rede elétrica regional. Estimativas apontam que o consumo do complexo em Eldorado do Sul poderá superar em cerca de 40% a atual demanda residencial média do estado, levantando preocupações sobre custos adicionais e estabilidade do fornecimento.
Licenciamento mais ágil, críticas mais intensas
O modelo de licenciamento simplificado dispensa, neste caso, a obrigatoriedade de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e de audiências públicas, pontos que têm sido alvo de críticas de entidades e especialistas. O Instituto de Defesa do Consumidor destaca riscos de repasse de custos à população e possíveis gargalos na transmissão de energia.
Além da energia, o uso intensivo de água por data centers também entra no radar. Pesquisadores apontam que métricas como o WUE (Water Usage Effectiveness), amplamente utilizadas pelo setor, não capturam adequadamente as particularidades locais de disponibilidade hídrica.
Pressão por regulação mais ampla
Analistas defendem que a política brasileira para data centers, hoje ancorada principalmente na agenda de inovação, precisa evoluir para incorporar variáveis ambientais,
hídricas e de direitos humanos. Críticas também recaem sobre a transparência de indicadores e a ausência de avaliação de impactos cumulativos.
“AI City”: cifras bilionárias e ambição global
Batizado de Scala AI City, o projeto reúne números expressivos:
- Investimento inicial estimado em R$ 3 bilhões;
- Área total superior a 7 milhões de m²;
- Aportes adicionais que podem elevar o total a centenas de bilhões de reais;
- Geração prevista de mais de 3 mil empregos diretos e indiretos;
- Capacidade inicial de 54 MW, com expansão potencial até 4,75 GW.
O governo gaúcho aposta na localização estratégica, disponibilidade energética e resiliência climática da região para atrair empresas globais. O complexo também deverá se integrar a infraestruturas digitais já existentes e, no futuro, ao sistema de cabos submarinos que conecta o Brasil a outros mercados internacionais.
Novo polo tecnológico ou desafio estrutural?
A proposta posiciona o Rio Grande do Sul como potencial protagonista na economia digital latino-americana. Ao mesmo tempo, explicita um debate crescente: como equilibrar expansão tecnológica em larga escala com segurança energética, gestão de recursos naturais e impacto social.
No centro dessa equação, o megaprojeto em Eldorado do Sul surge tanto como símbolo de inovação quanto como teste para a capacidade regulatória e de infraestrutura do país.

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