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Crise no fornecimento de energia exige revisão urgente das concessões
Modelo atual não acompanha a complexidade das áreas atendidas e milhões de clientes principalmente em São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de janeiro.
A recorrente falta de energia elétrica em grandes centros urbanos e regiões extensas do país reacende um debate que não pode mais ser ignorado: empresas como a Enel, em São Paulo, a Light no Rio de Janeiro e a CEEE Equatorial, no Rio Grande do Sul, têm realmente estrutura para manter a concessão de um serviço essencial para milhões de brasileiros?
Quedas prolongadas de energia, demora no restabelecimento do serviço e falhas constantes de comunicação com os consumidores tornaram-se quase rotina. Em muitos casos, bastam chuvas mais intensas ou ventos moderados para que bairros inteiros fiquem horas, ou até dias, sem eletricidade. O problema vai muito além do desconforto: afeta hospitais, escolas, comércios, indústrias, sistemas de abastecimento de água e a segurança da população.
O modelo atual de concessão parece incompatível com a dimensão das áreas atendidas. São milhões de clientes espalhados por regiões enormes, com redes antigas, falta de investimento em manutenção preventiva e equipes insuficientes para dar resposta rápida às ocorrências. Não é razoável que uma única concessionária seja responsável por territórios tão extensos sem apresentar a capacidade operacional necessária para lidar com eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.
A justificativa de “eventos extremos” já não convence. Fenômenos climáticos fazem parte da realidade brasileira e precisam ser considerados no planejamento das concessionárias. Empresas que lucram com um serviço público essencial têm a obrigação de investir em modernização da rede, poda preventiva de árvores, enterramento de fiação onde for possível, ampliação de equipes técnicas e melhoria nos canais de atendimento ao consumidor.
Quando isso não acontece de forma consistente, a penalização não pode se limitar a multas que, muitas vezes, representam pouco impacto financeiro para grandes grupos econômicos. A perda da concessão deve, sim, entrar no debate como uma medida real e concreta. Concessão não é direito adquirido; é um contrato que exige eficiência, qualidade e respeito ao consumidor.
Um dos exemplos mais surreais é a situação que se torna ainda mais alarmante no Rio Grande do Sul com a paralisação programada para os dias 29 e 30/12, no fornecimento de energia anunciada pela CEEE Equatorial nas praias de Xangri-lá e Capão da Canoa, justamente durante o período de máxima lotação do litoral, nas festas de fim de ano. Trata-se de uma decisão que beira o absurdo diante do impacto direto sobre moradores, comerciantes, turistas e serviços essenciais.
Durante o verão, essas cidades chegam a multiplicar sua população, recebendo milhares de visitantes que movimentam a economia local e dependem de um fornecimento estável de energia para hotéis, restaurantes, mercados, hospitais, condomínios e residências. Programar interrupções em um momento tão crítico evidencia falta de planejamento, ausência de alternativas técnicas e total desconexão com a realidade da região.
Esse tipo de medida reforça a percepção de que a concessionária não possui estrutura suficiente para atender áreas extensas e altamente demandadas em períodos específicos do ano. Manutenções são necessárias, mas precisam ser feitas com inteligência operacional, reforço de equipes e investimentos prévios, não às custas do prejuízo coletivo em datas estratégicas.
Se empresas como Enel, Light e CEEE Equatorial não conseguem demonstrar capacidade técnica, estrutural e operacional para atender milhões de residências e empresas em áreas tão amplas, cabe ao poder público e às agências reguladoras reavaliar esses contratos. O fornecimento de energia elétrica é um serviço essencial, e a população não pode continuar refém de um sistema que falha repetidamente sem consequências proporcionais.
Garantir energia de qualidade não é apenas uma questão de conforto, mas de dignidade, desenvolvimento econômico e segurança. Quando a estrutura não acompanha a responsabilidade, a concessão precisa, no mínimo, ser revista, e, se necessário, retirada.
*Equipe Conecta Energia
Matéria da CNN Brasil - 2 semanas atraás

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